05/Oct/2026
A redução das tarifas aplicadas pela China ao milho dos Estados Unidos, anunciada após a cúpula entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, realizada em Washington em 24 de setembro, tende a ter impacto limitado sobre as exportações brasileiras do cereal. A China está bem abastecida e não deverá ampliar significativamente as compras de milho no fim de 2026 e início de 2027, enquanto o Brasil não deve apresentar grandes excedentes exportáveis, diante da expectativa de estabilidade da área de milho da 2ª safra de 2027. Após o encontro, a China isentou mais de 1.600 produtos norte-americanos de tarifas, incluindo milho, trigo, sorgo e algodão. A redução tarifária, entretanto, não implica necessariamente aumento expressivo das compras chinesas de milho dos Estados Unidos. A medida também não significa que os US$ 17 bilhões em produtos agrícolas norte-americanos mencionados pelo governo norte-americano como parte dos compromissos de compras chinesas serão necessariamente concentrados nesses grãos.
Para o Brasil, a ampliação do acesso do milho norte-americano ao mercado chinês pode aumentar a concorrência entre fornecedores, mas o efeito tende a ser relativamente reduzido. A expectativa de estabilidade da área de 2ª safra em 2026/27 limita o crescimento da produção e, consequentemente, a formação de grandes excedentes destinados à exportação. No levantamento divulgado em 1º de outubro, a StoneX projetou as exportações brasileiras de milho em 43 milhões de toneladas na safra 2026/27, alta de 7,5% ante os 40 milhões de toneladas estimados para 2025/26. O consumo doméstico foi projetado em 100 milhões de toneladas, contra 97 milhões de toneladas no ciclo anterior. A produção total foi estimada em 142,07 milhões de toneladas, aumento de 0,5% na comparação anual, enquanto os estoques finais foram calculados em 28,94 milhões de toneladas, ante estoques iniciais de 28,57 milhões de toneladas. A disponibilidade da China também reduz o potencial de crescimento das importações de milho norte-americano. O país caminha para uma boa colheita no fim de 2026 e, diferentemente de 2025, quando chuvas durante a colheita provocaram problemas de qualidade, as condições atuais não indicam repetição desse cenário. Com maior oferta doméstica, a necessidade de ampliar as compras externas tende a ser menor.
Nos Estados Unidos, a redução das tarifas deve ter efeito relativamente pequeno sobre o balanço de oferta e demanda de milho, uma vez que o consumo doméstico continua sendo o principal destino da produção e outros mercados permanecem ativos. Os norte-americanos ainda dispõem de volumes expressivos da safra anterior para exportação, enquanto as vendas externas apresentam desempenho favorável, com perspectiva de continuidade em 2027, mesmo diante de uma produção ligeiramente menor. No curto prazo, entretanto, o milho dos Estados Unidos apresenta preços menos competitivos que os de outras origens. A Argentina, que realizou rapidamente a colheita da safra de 2026, permanece competitiva no mercado internacional e mantém pressão sobre as cotações e os fluxos de exportação dos Estados Unidos. No mercado de sorgo, a redução das tarifas chinesas sobre produtos norte-americanos pode estimular as compras da China nos Estados Unidos e elevar a concorrência com o Brasil. A China vem adquirindo volumes elevados de sorgo norte-americano mesmo sob tarifas e mantém compras do produto brasileiro.
A programação de navios do Brasil com destino à China permanece positiva, enquanto uma parcela relevante da disponibilidade brasileira já foi exportada, reduzindo o risco de pressão adicional sobre os preços domésticos no curto prazo. A projeção de oferta brasileira de milho para 2026/27 ainda é preliminar. Para a 2ª e a 3ª safras de 2027, a StoneX manteve os volumes estimados para 2025/26. A primeira estimativa específica para a 2ª safra de 2027 está prevista para novembro, quando haverá maior visibilidade sobre área, calendário de plantio e condições climáticas. Nesse cenário, a redução tarifária chinesa melhora as condições de acesso do milho norte-americano ao mercado asiático, mas não altera significativamente o balanço brasileiro no curto prazo. A disponibilidade chinesa, a estabilidade esperada da área de 2ª safra de 2027 no Brasil e a ausência de grandes excedentes exportáveis limitam o impacto sobre as vendas externas brasileiras, embora a maior concorrência entre fornecedores possa influenciar a formação dos preços internacionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.