02/Oct/2026
O milho brasileiro perdeu parte dos fundamentos que sustentavam uma alta mais forte dos preços até o fim do ano, diante da cobertura das indústrias, da concorrência da Argentina e do ritmo fraco das exportações. O mercado ainda tem suporte para evitar uma queda expressiva, mas diminuiu a expectativa de cotações acima de R$ 80,00 a R$ 85,00 por saca de 60 Kg no fim de 2026. No mercado interno, a demanda das indústrias oferece pouco impulso adicional no curto prazo. A indústria já está coberta, boa parte até meados do primeiro trimestre do ano que vem.
Com isso, as negociações atuais são concentradas em compras pontuais de reposição. A competitividade brasileira encontra ainda um obstáculo regional. O milho nacional está mais barato que o norte-americano, mas segue acima do produto argentino. Outro fator é o Irã, principal comprador do cereal brasileiro, que enfrenta dificuldades logísticas em meio à guerra. O cenário externo também ficou menos favorável após a divulgação dos estoques trimestrais de milho dos Estados Unidos acima das expectativas do mercado. A queda do dólar também acrescenta pressão às cotações domésticas. Ainda não é possível saber qual será a janela disponível para a semeadura do milho 2ª safra de 2027.
No Paraná, a percepção de indústrias cobertas e de perda de tração nas exportações reflete-se no viés negativo dos preços de compradores. As indicações de tradings recuaram para R$ 59,12 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, para entrega em outubro, ante R$ 59,79 por saca de 60 Kg na semana anterior. Para entrega em dezembro, a indicação é de R$ 62,09 por saca de 60 Kg CIF. Fábricas de ração de Ponta Grossa indicam R$ 65,85 por saca de 60 Kg CIF, queda de R$ 0,50 por saca de 60 Kg nos últimos sete dias. As indústrias de Cascavel indicam R$ 59,37 por saca de 60 Kg CIF. As fábricas de Umuarama indicam R$ 58,98 por saca de 60 Kg CIF.
Em Mato Grosso do Sul, na região de Dourados, a fraca paridade de exportação e a postura de estoques confortáveis do mercado doméstico também limitam o ritmo de negócios, mas os preços seguem estáveis nos últimos sete dias. As indicações de indústrias seguem entre R$ 54,00 e R$ 55,00 por saca de 60 Kg FOB, com registro de negócios isolados a R$ 56,00 por saca de 60 Kg FOB. As usinas de etanol estão bem estocadas, enquanto o produtor disponibiliza oferta apenas para cobrir compromissos imediatos. Para exportação, as indicações estão entre R$ 52,00 e R$ 53,00 por saca de 60 Kg FOB, mas não atraem produtores. Quanto à comercialização da 2ª safra de 2027, tradings indicam entre R$ 57,00 e R$ 58,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque em agosto e pagamento em setembro.