02/Oct/2026
Segundo relatório do BBVA, o El Niño tende historicamente a favorecer a produtividade de soja e milho na Argentina, mas a intensidade prevista para o fenômeno na safra 2026/27 também aumenta o risco de excesso de chuva, com possíveis impactos sobre as operações no campo, o transporte e a comercialização. O banco estima em 80% a probabilidade de ocorrência de um El Niño intenso em 2026/27 e aponta o período entre outubro de 2026 e fevereiro de 2027 como a janela de maior intensidade do fenômeno. Parte desse período coincide com etapas decisivas para a definição da produtividade das duas principais culturas de verão argentinas. Entre dezembro e fevereiro, soja e milho atravessam fases críticas de desenvolvimento, o que aumenta a importância das condições de chuva para o potencial produtivo.
O risco de excesso hídrico também coincide com o período de retirada dos cereais de inverno das lavouras. Chuvas excessivas podem dificultar a colheita, o transporte e a comercialização desses produtos, entre os quais está o trigo, uma das principais commodities agrícolas exportadas pela Argentina. A maior parte das áreas cultivadas com soja, milho, trigo e girassol está concentrada na região dos Pampas, onde também se encontra parcela relevante da estrutura agroindustrial argentina. Essa concentração proporciona economias de escala e proximidade com a agroindústria, mas aumenta a exposição a choques climáticos regionais e concentra os riscos nas áreas de maior participação na produção nacional. As projeções para a safra 2026/27 apresentam diferenças quanto ao tamanho da colheita argentina.
Para a soja, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires estima produção de 53,6 milhões de toneladas, enquanto o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta 50 milhões de toneladas. No milho, a diferença é maior, com estimativa de 66 milhões de toneladas pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires e de 55 milhões de toneladas pelo USDA. O desempenho de soja e milho na Argentina tem relevância para o mercado internacional. O país responde por 11,3% da produção mundial de soja e 4,3% da produção global de milho. A participação é ainda mais relevante no comércio exterior. A Argentina é o principal exportador mundial de óleo de soja, com 45% do mercado, e de farelo de soja, com 33%, além de ocupar a terceira posição entre os exportadores de milho, com participação projetada em 18% em 2026/27.
Na safra 2025/26, os embarques argentinos são estimados em 45 milhões de toneladas de milho, 29 milhões de toneladas de farelo de soja e 9 milhões de toneladas de soja em grão. As exportações de óleo de soja são estimadas em 6,5 milhões de toneladas. A Argentina ampliou sua capacidade de enfrentar eventos climáticos adversos. O indicador considera 12 aspectos relacionados a recursos, infraestrutura e capacidade de resposta para comparar a adaptação dos países aos impactos climáticos. A melhora na capacidade de adaptação tende a reduzir os riscos associados ao El Niño, mas não elimina a exposição da produção agrícola a eventos climáticos adversos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.