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02/Oct/2026

Argentina: corte de retenciones favorece produtores

Segundo relatório do BBVA, a redução dos impostos sobre as exportações agrícolas da Argentina, conhecidos como retenciones, tende a elevar a parcela do preço internacional recebida pelo produtor e favorecer novos investimentos no campo. A continuidade dos cortes melhora as perspectivas de rentabilidade e pode ampliar o potencial de produção e exportação do agronegócio argentino. Atualmente, a soja em grão está sujeita a alíquota de 24% sobre as exportações, enquanto milho e trigo pagam 8,5% e 5,5%, respectivamente, conforme decreto publicado pelo governo argentino em junho. As alíquotas vêm sendo reduzidas desde 2025, com novos cortes graduais previstos para 2027 e 2028. Para a soja, a alíquota será reduzida em 0,25% por mês em 2027, até atingir 21%, e em 0,5% por mês em 2028, chegando a 15%. Para o milho, as reduções ocorrerão trimestralmente, levando a alíquota para 7,5% no fim de 2027 e para 5,5% ao fim de 2028.

O impacto das retenciones pela diferença entre o preço FOB, referência do produto colocado no porto para exportação, e o FAS teórico, que representa o valor que o comprador pode pagar pelo grão no mercado interno após a dedução dos impostos de exportação e dos custos de comercialização e embarque. Quanto menores esses descontos, maior é a capacidade de pagamento pelo produto no mercado doméstico. Para milho e trigo, que são exportados principalmente em grão, a relação entre o preço internacional e o valor recebido internamente é mais direta. No caso da soja e do girassol, o cálculo considera a capacidade de pagamento das indústrias que adquirem os grãos para processamento e exportação de produtos como óleo e farelo. Os impostos sobre as exportações reduzem a renda do produtor e os incentivos para investimentos, com efeito limitado sobre os preços finais pagos pelo consumidor argentino. O cronograma de redução das alíquotas, na avaliação do banco, melhora as perspectivas para rentabilidade, investimentos e expansão das exportações agroindustriais.

O efeito também se estende à aquisição de insumos. O relatório mostra que a relação entre os preços dos grãos e dos fertilizantes se deteriorou em períodos que combinaram impostos elevados sobre exportações e preços altos dos adubos, como em 2002, 2008 e 2022. O cenário foi mais favorável em períodos de impostos menores e fertilizantes mais baratos, como em 2016 e 2025. A discussão tem relevância para a economia argentina porque o agronegócio é uma das principais fontes de geração de dólares do país. Os quatro principais complexos agrícolas responderam por cerca de 40% das exportações argentinas em 2025. O BBVA projeta US$ 42 bilhões em exportações agroindustriais em 2026. A soja concentra a maior participação na pauta agrícola, com 58,4% das exportações do setor, seguida por milho, com 18,1%, trigo, com 9,9%, e girassol, com 5,9%. A Argentina é também o maior exportador mundial de óleo e farelo de soja, com participações de 45% e 33% no mercado global, respectivamente, e o terceiro maior exportador de milho, com participação estimada em 18% em 2026/27.

Na temporada 2025/26, os embarques argentinos são estimados em 45 milhões de toneladas de milho, 29 milhões de toneladas de farelo de soja, 19,1 milhões de toneladas de trigo e 9 milhões de toneladas de soja em grão. As exportações de óleo de soja devem alcançar 6,5 milhões de toneladas, enquanto as de óleo de girassol são estimadas em 1,9 milhão de toneladas. A produção agrícola argentina também aumentou nas últimas décadas. A soma das colheitas de soja, milho, trigo e girassol alcançou cerca de 125 milhões de toneladas no biênio 2024/26, o dobro do volume registrado no início deste século. O crescimento foi liderado pelo milho, cuja produção aumentou 263% entre 2000/02 e 2024/26, enquanto a produção de soja avançou 74%. O aumento da produção e das exportações ganha importância em um cenário de preços internacionais das commodities agrícolas abaixo dos picos observados em 2021 e 2022. Com valores internacionais mais baixos, o volume embarcado passa a ter maior peso na geração de divisas, enquanto a redução dos impostos sobre as exportações amplia a parcela da receita que permanece no setor produtivo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.