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02/Oct/2026

Milho: déficit na UE e estoques elevados na Ucrânia

Segundo a StoneX, a União Europeia deverá precisar importar entre 22 milhões e 27 milhões de toneladas de milho após uma safra fraca, mas apenas cerca de 5 milhões de toneladas chegaram ao bloco até o momento. Enquanto a produção europeia recua, a Ucrânia acumula estoques de 24,6 milhões de toneladas de grãos, ante 14,6 milhões de toneladas um ano antes, ampliando o contraste entre a necessidade de importações da União Europeia e a disponibilidade de produto na Ucrânia. O serviço de monitoramento agrícola Mars, da Comissão Europeia, reduziu para 6,5 toneladas por hectare a estimativa de produtividade do milho no bloco. As projeções de produção também foram revisadas para baixo, para 48,6 milhões de toneladas pela Coceral e 48,8 milhões de toneladas pela Comissão Europeia, volume aproximadamente 14% inferior ao registrado no ciclo anterior.

Na França, apenas 23% das lavouras de milho eram classificadas como boas ou excelentes, enquanto 45% da área já havia sido colhida, ritmo superior ao observado em anos anteriores. A produção europeia nesse nível reduz a margem de segurança para eventuais interrupções no abastecimento de outras regiões. Com a necessidade de importação estimada entre 22 milhões e 27 milhões de toneladas, a União Europeia dependerá de um fluxo externo elevado para compensar a menor oferta doméstica. Ao mesmo tempo, a Ucrânia enfrenta dificuldades para escoar os estoques acumulados em razão dos impactos da guerra sobre a infraestrutura e das restrições impostas por países de trânsito. O país vem substituindo locomotivas destruídas por bombardeios por modelos mais antigos e busca ampliar as rotas de exportação pelos países bálticos, Polônia e Alemanha.

Apesar das limitações logísticas, a Ucrânia já exportou 1,9 milhão de toneladas de milho, mais que o dobro das 900 mil toneladas embarcadas em igual período do ano passado. Ainda assim, exportadores ucranianos estimam que poderão conseguir embarcar apenas 40% do potencial disponível, diante das dificuldades de transporte e acesso aos mercados. A Polônia permite o trânsito de grãos ucranianos, mas restringe o uso de sua estrutura de armazenagem, limitando o volume que pode avançar para os mercados ocidentais. A Ucrânia também solicitou à União Europeia uma ampliação de sua cota de exportação, mas as regras atuais foram mantidas. Dessa forma, o milho ucraniano permanece sujeito a restrições justamente em um momento de elevada necessidade de importações pela Europa, que tem na Ucrânia uma das fontes geograficamente mais próximas de oferta. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.