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01/Oct/2026

Exportações menores pressionam preços no Brasil

A desaceleração das exportações brasileiras de milho aumenta a disponibilidade do cereal no mercado interno e pode ampliar a pressão sobre os preços no País. A Stag International reduziu em 500 mil toneladas a projeção de embarques brasileiros em setembro, de 5,7 milhões para 5,2 milhões de toneladas, com base nos dados mais recentes de programação de navios. Para outubro, a estimativa foi mantida em 5 milhões de toneladas, ante 5,7 milhões de toneladas exportadas no mesmo mês de 2025. Entre junho e outubro, os embarques brasileiros devem ficar cerca de 6 milhões de toneladas abaixo do volume registrado em igual período de 2025. No mesmo intervalo, a demanda adicional de milho para produção de etanol deve alcançar aproximadamente 2 milhões de toneladas, enquanto o consumo para ração pode crescer entre 1 milhão e 2 milhões de toneladas. Somados, esses segmentos representariam aumento de 3 milhões a 4 milhões de toneladas no consumo doméstico, ainda abaixo da redução projetada nas exportações.

O desempenho mais fraco dos embarques, portanto, supera a expansão da demanda interna, tornando o balanço brasileiro mais folgado no período e aumentando a necessidade de competitividade do milho nacional para o escoamento do excedente ao mercado externo. O consumo de milho para etanol permanece acima do registrado no ano anterior, mas perdeu ritmo na margem. Em agosto, o uso do cereal ficou cerca de 400 mil toneladas acima do volume de um ano antes, embora tenha recuado ligeiramente em relação a julho. Desde junho, o consumo acumulado pela indústria aumentou aproximadamente 1,2 milhão de toneladas e pode alcançar incremento próximo de 2 milhões de toneladas até o fim de outubro. A Stag mantém a expectativa de que a indústria de etanol acrescente mais de 4 milhões de toneladas à demanda brasileira de milho no ciclo, mas os dados mais recentes indicam perda de força na margem. Caso o crescimento da demanda doméstica se aproxime de um limite, os preços brasileiros precisarão permanecer competitivos para estimular os embarques e absorver parte do excedente disponível.

Os prêmios FOB do milho brasileiro recuaram desde o início de setembro, contribuindo para melhorar a atratividade do produto no mercado internacional. A vantagem competitiva em relação ao milho dos Estados Unidos permanece. Para novembro, as ofertas FOB brasileiras estavam em torno de 79 centavos de dólar por bushel acima dos futuros da Bolsa de Chicago, enquanto as ofertas dos Estados Unidos estavam 102 centavos acima. Na Argentina, as indicações estavam próximas de 50 centavos de dólar por bushel. Essa diferença de preços também limita, neste momento, a possibilidade de ampliação das exportações norte-americanas após a redução das tarifas anunciada pela China. A projeção de embarques dos Estados Unidos está mantida em 82,9 milhões de toneladas, praticamente em linha com a estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A avaliação considera que ainda não há evidências de compras chinesas adicionais em volume suficiente para alterar o balanço norte-americano. A redução das tarifas melhora o acesso do milho dos Estados Unidos ao mercado chinês, mas a concretização desse potencial dependerá do preço entregue.

No cenário atual, o milho norte-americano permanece menos competitivo em relação às origens da América do Sul. O principal fator que ainda pode sustentar as exportações dos Estados Unidos é a dificuldade de escoamento do milho da Ucrânia. O país costuma exportar entre 22 milhões e 24 milhões de toneladas por ano, e restrições logísticas persistentes poderiam deslocar parte dessa demanda para o produto norte-americano. Esse movimento, contudo, ainda não ocorreu e poderá ficar mais evidente quando os importadores iniciarem a cobertura das necessidades de janeiro e fevereiro. No mercado norte-americano, o risco começa a se deslocar gradualmente da oferta para a demanda. Uma eventual frustração do consumo de milho para etanol, a continuidade de vendas externas mais fracas, a manutenção da competitividade da América do Sul no início de 2027 e a ausência de migração de compradores tradicionais da Ucrânia para os Estados Unidos podem levar o mercado a revisar para baixo as expectativas de demanda incorporadas ao balanço norte-americano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.