01/Oct/2026
O ritmo fraco das exportações brasileiras de milho deve continuar limitando uma reação mais forte dos preços no curto prazo, mas o consumo doméstico elevado, a sustentação das cotações internacionais e as dúvidas sobre a oferta de 2026/27 reduzem o espaço para uma queda acentuada. As exportações estão fracas. O produtor, vez ou outra, encontra uma oportunidade para avançar com comercialização. Parte da menor necessidade de embarques decorre justamente do avanço da demanda interna. O consumo doméstico está aquecido, o que pressiona os excedentes no Brasil.
O País também enfrenta maior concorrência externa, principalmente da Argentina, que colheu uma safra muito volumosa e tem conseguido disputar destinos com o milho brasileiro. Em contrapartida, os conflitos no Mar Negro provocaram mudanças em algumas rotas comerciais. Observa-se redirecionamento de fluxos do Egito para o Brasil, embora o movimento ainda não seja suficiente para compensar o desempenho mais fraco das vendas externas como um todo. Mesmo assim, não há espaço para uma pressão intensa sobre as cotações domésticas. Parte dessa sustentação vem da Bolsa de Chicago.
O balanço mundial de milho está mais apertado, com menor produção nos Estados Unidos e consumo elevado em importantes mercados. Para 2026/27, há pouco espaço para um avanço expressivo da área de 2ª safra no Brasil. Uma produção recorde não está descartada, mas hoje não é o cenário mais provável. A preocupação com a oferta do ano que vem tem espaço para dar um pouco mais de fôlego para preço. A dúvida é se esse movimento aparecerá ainda até novembro ou apenas no começo de 2027.
No Paraná, na região de Cascavel, o ritmo de embarques está enfraquecido. Tradings indicam R$ 72,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, para entrega em outubro e pagamento em novembro. Fábricas de ração indicam entre R$ 64,00 e R$ 65,00 por saca de 60 Kg CIF, movimentando apenas negócios pontuais, visto que produtores capitalizados elevam suas indicações para R$ 70,00 por saca de 60 Kg. A demanda compradora existe, mas encontra barreira nas margens apertadas das proteínas animais.
Em Mato Grosso, na região de Primavera do Leste, o consumo doméstico se destaca ante a exportação. Os embarques seguem recuados, enquanto as indústrias de etanol fazem compras pontuais a R$ 56,00 por saca de 60 Kg FOB, para retirada em novembro, em negociação via cooperativa. O valor está estável nos últimos sete dias. Para 2ª safra de 2027, usinas indicam R$ 53,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega e pagamento em julho, mas sem adesão dos produtores, que preferem aguardar a consolidação do clima e da janela de plantio da soja.