01/Oct/2026
As chuvas registradas em setembro favoreceram o início do plantio da soja no Brasil e ajudam a preservar a janela de semeadura do milho de 2ª safra de 2027. A configuração atual do fenômeno El Niño reduziu parte dos riscos inicialmente esperados para as lavouras brasileiras, mas a distribuição das precipitações a partir de novembro permanece como fator de atenção para a produtividade. Em Mato Grosso, os volumes de chuva superaram as expectativas e, com exceção do nordeste do Estado, foram suficientes para permitir o início do plantio. Dados da Commodity Weather Group indicam que a precipitação acumulada entre 1º e 29 de setembro na área de soja monitorada no Centro-Oeste foi a maior para o período desde 2009. O avanço inicial da semeadura é relevante para a sequência do calendário agrícola, pois o plantio da soja dentro da janela adequada aumenta a possibilidade de colheita em janeiro e fevereiro e, consequentemente, amplia as condições para a implantação do milho de 2ª safra dentro do período considerado favorável. Segundo dados da StoneX, o plantio da soja alcançava 4,89% da área, 0,4% abaixo do registrado no mesmo período do ano anterior e 0,8% acima da média dos últimos cinco anos.
No milho safra de verão (1ª safra 2026/2027), a semeadura atingia 31,1% da área, avanço de 4% em relação ao ciclo anterior e de 1,8% sobre a média de cinco anos. Na Região Sul do Brasil, o excesso de chuvas registrado até o momento não impediu o avanço do plantio do milho safra de verão (1ª safra 2026/2027). A umidade disponível na região ainda não configura, neste estágio, um fator de restrição relevante para o andamento das operações. Para a soja, o principal ponto de atenção está concentrado nas etapas posteriores do desenvolvimento das lavouras, especialmente durante a floração e a formação de vagens. As previsões analisadas pela Commodity Weather Group indicam possibilidade de chuvas abaixo da média em parte do período entre outubro e novembro, o que exige acompanhamento da distribuição dos volumes e da regularidade das precipitações. A ocorrência de chuvas abaixo da média, isoladamente, não determina perdas de produtividade. O impacto dependerá do volume acumulado e, principalmente, do momento em que as precipitações ocorrerem durante o ciclo das lavouras. Condições adequadas de volume, frequência e distribuição podem permitir o desenvolvimento normal das plantas, enquanto períodos de menor umidade coincidentes com fases críticas podem resultar em perdas mais expressivas.
A configuração atual do El Niño também apresenta características diferentes de alguns episódios anteriores, com maior concentração do aquecimento do Pacífico Equatorial próxima à costa da América do Sul. Esse padrão altera parte dos efeitos climáticos normalmente associados ao fenômeno. Nos Estados Unidos, agosto registrou temperaturas acima das esperadas para um episódio de El Niño. Na América do Sul, o fenômeno tende a favorecer chuvas no Sul do Brasil e no nordeste da Argentina, padrão que vem sendo observado no atual ciclo. Para dezembro, janeiro e fevereiro, os mapas indicam melhora das condições de umidade em parte do Centro-Oeste e cenário favorável para as lavouras na Argentina e na Região Sul do Brasil. Neste momento, o calor não aparece como o principal fator de risco para a produção, enquanto a distribuição das chuvas ao longo das fases críticas do desenvolvimento das lavouras permanece como variável central para a definição do potencial produtivo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.