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01/Oct/2026

Brasil e Argentina mantêm vantagem sobre os EUA

O milho dos Estados Unidos permanece com preços superiores aos do Brasil e da Argentina, mesmo considerando o alívio tarifário previsto pela China após a cúpula entre os governos dos dois países. A evolução da colheita norte-americana poderá melhorar a competitividade do cereal dos Estados Unidos até o fim de 2026, mas a ampla disponibilidade de grãos no mercado chinês limita a necessidade de novas importações. A avaliação é da StoneX, que considera a oferta sul-americana e os fatores políticos determinantes para a distribuição dos negócios entre as origens fornecedoras. A Argentina apresenta disponibilidade elevada de milho após registrar uma safra recorde em 2026, com produção significativamente superior à do ano anterior. Esse volume amplia a capacidade de oferta do país e permite a disputa por compradores internacionais com preços competitivos.

Mesmo com a retirada da sobretaxa chinesa prevista para os produtos norte-americanos, o milho argentino permanece mais barato, enquanto o cereal brasileiro também apresenta preços inferiores aos dos Estados Unidos, embora opere em patamar superior ao argentino. Milho, trigo e sorgo estão entre os produtos previstos para receber alívio tarifário após o encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping. A soja em grão ficou fora da lista divulgada em 28 de setembro. A proposta, contudo, não estabeleceu uma data para implementação das mudanças, de modo que as comparações de competitividade consideram o cenário de retirada da sobretaxa. Para o Brasil, os efeitos da mudança nas condições de acesso dos Estados Unidos ao mercado chinês tendem a ser limitados no curtíssimo prazo. Os fornecedores sul-americanos continuam apresentando vantagens de preço, enquanto o avanço da colheita norte-americana poderá modificar a relação de competitividade nos próximos meses.

A efetivação de novos negócios dependerá tanto das condições comerciais quanto das necessidades de abastecimento da China. A Ucrânia também dispõe de milho com preços inferiores aos norte-americanos, mas enfrenta dificuldades logísticas para escoar a produção em razão da guerra. As restrições ao acesso de embarcações ao Mar Negro levam à utilização de rotas alternativas, como o Rio Danúbio e as ferrovias, elevando os custos de transporte. Essas limitações comprometem a capacidade de embarque mesmo quando o cereal ucraniano apresenta vantagem de preço no mercado internacional. Nos Estados Unidos, a entrada da nova safra tende a ampliar a disponibilidade interna de milho durante a janela de exportação do país, o que pode favorecer as vendas externas no fim do ano. Entretanto, a produção norte-americana deverá ser um pouco menor neste ciclo, exigindo atenção ao balanço de oferta e demanda da safra 2026/27.

A possibilidade de menor folga entre produção e consumo poderá restringir o potencial exportador dos Estados Unidos, mesmo com a melhora temporária da competitividade decorrente do avanço da colheita. No mercado de trigo, a perspectiva norte-americana também enfrenta limitações relacionadas ao desempenho da produção, que poderá restringir os embarques. O sorgo, por sua vez, aparece em posição relativamente mais favorável nas discussões sobre as compras chinesas. As oportunidades comerciais variam conforme a disponibilidade de cada produto, os preços relativos e as condições de acesso ao mercado asiático. As decisões políticas também poderão influenciar a distribuição das compras chinesas, especialmente se empresas estatais forem mobilizadas para adquirir grãos dos Estados Unidos.

Nesse cenário, a origem norte-americana poderá conquistar negócios mesmo quando outros fornecedores apresentarem preços mais competitivos, reduzindo a relação direta entre diferencial de preços e participação nas importações chinesas. Em maio, o governo norte-americano anunciou um compromisso de compras chinesas de produtos agrícolas adicionais à soja. A previsão é de pelo menos US$ 17 bilhões anuais em 2027 e 2028, além de um valor proporcional em 2026. Ainda existem incertezas sobre o cumprimento do compromisso e a distribuição dos volumes entre os produtos contemplados. Milho, algodão, sorgo, grãos secos de destilaria (DDG) e carnes estão entre os itens considerados pelo mercado, mas a participação de cada categoria nas futuras aquisições permanece indefinida. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.