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01/Oct/2026

China tem estoques elevados de milho e sorgo

A China apresenta elevada disponibilidade interna de milho, estoques recordes de sorgo e demanda enfraquecida por grãos, reduzindo a necessidade imediata de importações. Nesse cenário, eventual ampliação das compras de produtos agrícolas dos Estados Unidos tende a depender mais das decisões relacionadas à política comercial entre os dois países do que de uma necessidade imediata de abastecimento. A soja permanece como exceção, com necessidade de importação, embora os estoques nos portos chineses ofereçam cobertura às indústrias, que devem concentrar a reposição principalmente em dezembro e janeiro. Milho, trigo e sorgo estão entre os produtos previstos para receber alívio tarifário nas relações comerciais entre Estados Unidos e China, enquanto a soja em grão ficou fora da relação de produtos contemplados.

No milho, a distância entre as importações realizadas e a cota disponível indica ritmo moderado de compras. Entre janeiro e agosto, a China adquiriu 1,68 milhão de toneladas, equivalente a cerca de 23% da cota tarifária anual de 7,2 milhões de toneladas, que permite a entrada do cereal com tributação reduzida. Também foram mencionadas 571 mil toneladas de milho brasileiro embarcadas e previstas para chegada ao mercado chinês. Caso ocorram novas compras de milho dos Estados Unidos, a expectativa é de que sejam realizadas por empresas estatais para recomposição de reservas, e não diretamente pelo setor privado. A oferta doméstica permanece elevada, favorecida por condições positivas para a colheita, apesar da identificação de problemas localizados nas lavouras durante visitas técnicas.

A ampla disponibilidade doméstica também se reflete nos preços. As cotações do milho vêm recuando nas regiões produtoras desde o mês anterior. Nas duas semanas que antecederam o webinar, os preços também caíram na Bolsa de Dalian, enquanto avançaram na Bolsa de Chicago. As alternativas ao milho na alimentação animal também apresentam ampla disponibilidade. Os estoques chineses de sorgo alcançam 2,4 milhões de toneladas, o maior nível apresentado no evento, após importações elevadas entre maio e julho. Os Estados Unidos responderam por 60% das compras chinesas de sorgo no acumulado do ano considerado na apresentação, seguidos por Austrália e Argentina. No mercado de cevada, a Austrália respondeu por 72% das importações, à frente de Canadá e Argentina.

Parte da demanda chinesa por sorgo está associada à produção de baijiu, destilado tradicional do país. A indústria, contudo, não vem sustentando crescimento do consumo, diante da redução da produção da bebida, relacionada ao menor consumo de álcool entre os jovens e à diminuição dos gastos com entretenimento. Com menor participação desse segmento, o uso do sorgo na alimentação animal ganha importância para a absorção da oferta disponível. Na soja, a questão central está no momento de retomada das compras, e não na ausência de necessidade de importação. Os principais portos chineses acumulam 9,2 milhões de toneladas de soja, volume recorde apresentado no webinar. Embora os estoques estejam recuando sazonalmente, ainda proporcionam cobertura para as indústrias de esmagamento.

As maiores necessidades de reposição estão concentradas em dezembro e janeiro. O processamento de soja na China supera os níveis registrados em anos anteriores, ampliando a disponibilidade de farelo e óleo. Os estoques desses derivados permanecem elevados para o período, embora estejam abaixo dos níveis máximos históricos. Nesse contexto, o comportamento das compras chinesas durante a temporada de exportação dos Estados Unidos será um dos principais indicadores para avaliar o ritmo de abastecimento de soja no país asiático. A demanda por carne também permanece abaixo das expectativas. O consumo de carne suína durante o Festival do Meio do Outono não apresentou o aumento esperado para o período. Com o rebanho ainda elevado, os preços dos suínos permanecem pressionados.

A relação entre os preços do suíno e do milho, utilizada pelo governo chinês como referência de rentabilidade, recuou sem a intervenção esperada por parte do setor. O cenário indica uma estratégia de permitir o ajuste da produção por meio da redução do plantel de matrizes e do rebanho. No trigo, a China dispõe de oferta doméstica, mas enfrenta problemas relacionados à qualidade do cereal, o que abre espaço para importações de grãos com maior teor de proteína. Os Estados Unidos já realizaram vendas expressivas de trigo para o mercado chinês entre 2020 e 2024. Nesse segmento, a possibilidade de novos negócios está relacionada principalmente às características do produto demandado pelas indústrias, mesmo diante da disponibilidade de trigo produzido internamente. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.