30/Sep/2026
O mercado brasileiro de milho deve seguir com pouca variação no curto prazo, pressionado pela oferta ainda elevada e pela postura cautelosa da indústria. O dólar mais alto oferece algum suporte, mas a Bolsa de Chicago ainda não dá força suficiente para uma reação mais consistente dos preços. A colheita da 2ª safra de 2026 está praticamente encerrada, mas isso ainda não provocou mudança relevante na dinâmica de negócios. Parte dos produtores vende apenas volumes pontuais, enquanto compradores seguem sem necessidade de alongar posições. Esse comportamento reduz a disputa pelo cereal e limita movimentos mais firmes de alta no físico. O cenário também reflete a ausência de impulso externo. Com a Bolsa de Chicago sem reação mais forte, o câmbio aparece como principal fator de sustentação para as cotações domésticas, mas não é suficiente para alterar de forma significativa o quadro. Por enquanto, não há um gatilho capaz de tirar o mercado dessa faixa de estabilidade.
Em São Paulo, na região de Campinas, o distanciamento entre compradores e vendedores mantém o mercado parado. As cotações para exportação estão entre R$ 68,00 e R$ 70,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Santos, para entrega em outubro e pagamento em novembro. O valor, no entanto, não atrai vendedores. Fábricas de ração indicam R$ 68,00 por saca de 60 Kg CIF, mas produtores sustentam as indicações em R$ 64,00 por saca de 60 Kg FOB, equivalente a entre R$ 70,50 e R$ 71,00 por saca de 60 Kg CIF, ou até R$ 74,00 por saca de 60 Kg CIF (no porto). Os compradores estão se afastando para testar o mercado e tentar forçar propostas mais baixas, mas o vendedor que tem produto não cede. Para 2ª safra de 2027, as indicações de tradings para entrega no Porto de Santos em agosto do próximo ano seguem estáveis entre R$ 72,00 e R$ 73,00 por saca de 60 Kg CIF.
Em Mato Grosso, na região de Sorriso, a liquidez no spot registra forte recuo após a negociação de grandes volumes na semana anterior a R$ 60,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em outubro e pagamento em abril de 2027. Agora, as indicações de indústrias são de R$ 55,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em outubro e pagamento em janeiro. Para exportação, tradings indicam entre R$ 52,00 e R$ 52,50 por saca de 60 Kg FOB, para embarque até novembro e pagamento em dezembro. Para 2ª safra de 2027, as usinas mantêm as indicações em R$ 50,00 por saca de 60 Kg CIF, enquanto a indicação dos produtores é de R$ 52,00 por saca de 60 Kg. O produtor não quer fechar negócios agora porque o atraso nas chuvas ameaça a janela de plantio da soja e compromete o planejamento da 2ª safra de 2027.