30/Sep/2026
Segundo a Bolsa de Comércio de Rosário (BCR), a produção argentina de milho pode superar a estimativa inicial de 67,5 milhões de toneladas para a safra 2026/27 e se aproximar das 70,5 milhões de toneladas colhidas na temporada anterior caso o El Niño aumente a disponibilidade de água durante o período crítico das lavouras. A intenção de plantio é de 10,6 milhões de hectares. A intenção de semeadura melhorou no último mês, mas permanecem reduções expressivas de área no norte argentino. Em Santiago del Estero e Chaco, a área cultivada pode recuar quase 30%, enquanto La Pampa apresenta redução estimada de 7% e Córdoba, de 2%. Em sentido contrário, Santa Fe, Entre Ríos e Buenos Aires apresentam perspectivas de aumento de 1%, 2% e 3%, respectivamente. Na região núcleo, os produtores pretendem manter os 2,3 milhões de hectares cultivados na temporada anterior. A semeadura alcançou 55% da área projetada, mas perdeu ritmo em localidades onde a umidade é insuficiente nos primeiros centímetros do solo.
Apesar dessa limitação, o plantio permanece dentro da janela considerada adequada. Parte dos produtores antecipou a semeadura com o objetivo de reduzir o risco de enfrentar excesso de chuvas mais adiante e, ao mesmo tempo, posicionar as lavouras para atravessar o período crítico com maior disponibilidade hídrica. A estratégia considera a previsão de precipitações acima da média entre outubro e dezembro, período relevante para a definição do potencial produtivo do milho. Nesse contexto, a estimativa de 67,5 milhões de toneladas pode ser revisada para cima caso a disponibilidade de água seja suficiente durante o período crítico da cultura. O potencial produtivo poderia se aproximar das 70,5 milhões de toneladas registradas na safra anterior, desde que as condições climáticas favoreçam o desenvolvimento das lavouras. A Argentina também deve manter participação relevante no comércio internacional de milho.
A BCR projeta exportações de 45 milhões de toneladas na safra 2026/27, mesmo volume estimado para a temporada atual. A perspectiva de manutenção das vendas externas ocorre em um cenário de menor disponibilidade de milho em outros fornecedores, o que tende a preservar a relevância da oferta argentina no mercado internacional. Para 2026/27, o país deverá iniciar o ciclo com estoques iniciais 11 milhões de toneladas superiores aos registrados na temporada anterior. Dessa forma, mesmo com uma produção total de grãos menor, a oferta disponível deve permanecer elevada, próxima de 185 milhões de toneladas. O balanço indica redução moderada da disponibilidade em relação ao ciclo anterior, mas sem caracterizar uma queda acentuada da oferta. A combinação entre estoques iniciais mais elevados, produção projetada e manutenção das exportações mantém a Argentina como importante fornecedora de milho no mercado internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.