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29/Sep/2026

Preços do milho são limitados pela oferta elevada

A oferta elevada de milho no mercado interno e o ritmo fraco das exportações devem continuar limitando uma reação mais forte dos preços no curto prazo, enquanto os contratos mais longos começam a incorporar incertezas sobre a janela de plantio da 2ª safra de 2027. Em algumas regiões onde o milho 2ª safra tem menor presença, como Santa Catarina, Rio Grande do Sul e alguns Estados da Região Nordeste, os preços operam próximas das máximas do ano. Ainda assim, a variação das cotações ao longo de 2026 é relativamente pequena. O principal freio é a disponibilidade. O Brasil colheu uma safra volumosa, enquanto as vendas externas ainda não ganharam força. Nesse cenário, o País pode carregar um volume elevado de milho para 2027, o que pode resultar em estoque de passagem provavelmente o mais alto da história.

A combinação de oferta abundante e menor presença dos exportadores reduz, neste momento, a necessidade de compradores disputarem produto no mercado físico. A situação muda nos vencimentos mais distantes. Faz sentido o mercado atribuir preços maiores ao período de entressafra e começar a incorporar riscos para a 2ª safra de 2027. Por enquanto, porém, não há problema concreto no plantio da soja, cultura que antecede o milho em grande parte da Região Centro-Oeste. Outubro será decisivo para essa leitura. Mato Grosso tem previsão de chuvas abaixo da normalidade no mês, o que pode desacelerar a semeadura da soja ou afetar áreas já implantadas. No mercado físico, a pressão continua sendo de oferta. A demanda doméstica realizou compras mais relevantes em julho e agosto e mantém algum movimento em setembro, mas o desempenho fraco das exportações retira força de uma alta mais consistente.

No Paraná, na região de Ponta Grossa, fábricas de ração buscam pressionar os preços, indicando entre R$ 65,00 e R$ 66,00 por saca de 60 Kg CIF, ante entre R$ 68,00 e R$ 70,00 por saca de 60 Kg praticados na semana passada. No entanto, os vendedores sustentam as pedidas em R$ 70,00 por saca de 60 Kg. Negócios pontuais são registrados na faixa de R$ 67,00 por saca de 60 Kg FOB. Para exportação, as indicações estão entre R$ 69,00 e R$ 71,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, para entrega em outubro e pagamento em outubro. Em Mato Grosso, na região de Rondonópolis, os preços se mantêm estáveis. As fábricas seguem indicando entre R$ 54,00 e R$ 55,00 por saca de 60 Kg FOB, para retirada em outubro. A comercialização segue lenta, uma vez que o setor produtivo prioriza o monitoramento do clima e a umidade do solo para o avanço do plantio, antes de assumir novos compromissos com o cereal.