28/Sep/2026
Os preços do milho no mercado brasileiro registram apenas pequenos ajustes na maior parte das regiões. De modo geral, compradores e vendedores vêm mantendo postura cautelosa. Após as chuvas excessivas registradas até o início da semana passada nas Regiões Sul e Sudeste do Brasil, os agricultores têm avançado com a semeadura, ao mesmo tempo em que seguem preocupados com o clima para os próximos meses, devido aos possíveis impactos do El Niño. Neste contexto, os produtores limitam a oferta para negociações no spot. No entanto, a demanda é pontual, pois consumidores relatam ter estoques para o curto prazo. Além disso, eles acreditam que, com a maior disponibilidade atual, a exportação em ritmo lento e os trabalhos de campo avançando nas áreas brasileiras e nos Estados Unidos, produtores possam ter necessidade de venda nas próximas semanas. Consequentemente, isso poderia aumentar o volume de mercadoria disponível para negociações e pressionar os valores.
Nos Estados Unidos, os preços estão em baixa devido ao avanço da colheita, mesmo com as chuvas atrapalhando os trabalhos em parte das regiões. As quedas são contidas pelas perspectivas de safra reduzida na União Europeia, decorrentes das sucessivas ondas de calor. Nos últimos sete dias, há leve queda de 0,2% no mercado de balcão (preço pago ao produtor), mas alta de 0,5% no mercado de lotes (negociação entre empresas). O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) registra avanço de 0,8% nos últimos sete dias, cotado a R$ 69,81 por saca de 60 Kg. Vale observar que o Indicador vem se mantendo na casa dos R$ 69,00 por saca de 60 Kg desde 11 de setembro. Na B3, os contratos acompanham as quedas no mercado internacional. Assim, nos últimos sete dias, o contrato Nov/26 tem baixa de 0,7%, a R$ 75,88 por saca de 60 Kg. O contrato Jan/27 registra queda de 0,9%, para R$ 79,57 por saca de 60 Kg. Na Bolsa de Chicago, o vencimento Dez/26 está cotado a US$ 5,27 por bushel, queda de 0,57% nos últimos sete dias. O contrato Mar/27 apresenta retração de 0,55% no mesmo período, a US$ 5,41 por bushel.
Os preços nos portos, por sua vez, estão em alta, influenciados pela valorização do dólar. Os valores registram avanço de 0,9% nos últimos sete dias no Porto de Paranaguá (PR) e de 0,13% no Porto de Santos (SP). Apesar das recentes altas, as negociações têm sido pontuais, e as exportações seguem em ritmo inferior ao do mesmo período de 2025. Considerando-se os primeiros 13 dias úteis de setembro, o ritmo diário de embarques está 27% inferior ao do mesmo período de 2025 e, com isso, os embarques somam 3,24 milhões de toneladas de milho até o momento, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). No Brasil, a chuva, apesar de interromper as atividades de campo em alguns casos, permite umidade suficiente no solo para favorecer a semeadura e beneficia as lavouras já implementadas. Com isso, a média nacional semeada chegou a 21,4%, avanço semanal de 3,8% e acima da média dos últimos cinco anos, de 19,2%, segundo os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) do dia 18 de setembro.
Conforme o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), no Paraná, 56% das lavouras de milho haviam sido semeadas até o dia 21 de setembro, sendo que, destas, 94% apresentam boas condições e apenas 6%, médias. Para Santa Catarina, a Conab indica que, até o dia 18 de setembro, a semeadura chegou a 25,6% da área total. No Rio Grande do Sul, dados da Emater-RS indicam que 68% da área destinada ao milho safra de verão (1ª safra 2026/27) já foi semeada, avanço semanal de 8%. O relatório semanal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre as condições das lavouras norte-americanas apontou que produtores colheram 13% das lavouras de milho até o dia 20 de setembro, aumento de 2% frente à média de cinco anos. Outros 58% das lavouras estão maduras, 3% superiores no mesmo comparativo. Desse total, 57% das lavouras estão em condições entre boas e excelentes; 26%, em situação média e apenas 17%, entre ruim e muito ruim. Na Argentina, a semeadura avançou apenas 6% na semana passada, somando 17,1% da área, estimada em 8,4 milhões de hectares, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.