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28/Sep/2026

China ainda pode detalhar compra agrícola dos EUA

Segundo a StoneX, a queda do milho após a reunião entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, pode ter refletido uma reação antecipada do mercado à ausência de anúncios sobre compras agrícolas. É possível que haja uma divulgação posterior de detalhes sobre compromissos comerciais discutidos no encontro. Nas duas reuniões anteriores entre os líderes, parte dos entendimentos agrícolas só foi formalizada posteriormente. O principal ponto em aberto é o compromisso chinês de comprar pelo menos US$ 17 bilhões por ano em produtos agrícolas dos Estados Unidos além da soja. A China já avançou nas aquisições da oleaginosa, mas ainda não detalhou como pretende cumprir a parcela adicional prevista no acordo. O compromisso foi anunciado em maio e estabelece compras mínimas de US$ 17 bilhões anuais em 2026, 2027 e 2028, com o valor de 2026 proporcional ao período de vigência.

As aquisições se somam às metas específicas para soja estabelecidas anteriormente. A falta de detalhes afetou principalmente milho e trigo, em um mercado que chegou à reunião com posições compradas elevadas de fundos e expectativas de novos anúncios. Em algumas commodities, as posições compradas estavam em níveis recordes antes do encontro, aumentando a possibilidade de realização de lucros diante da ausência de avanços concretos no curto prazo. Parte dos investidores reduziu posições após não haver confirmação imediata de novas compras chinesas. O histórico das negociações entre Estados Unidos e China mantém a possibilidade de anúncios posteriores. Após o encontro entre Trump e Xi na Coreia do Sul, em outubro de 2025, os compromissos agrícolas foram detalhados posteriormente em documento da Casa Branca.

O texto estabeleceu compras chinesas de pelo menos 12 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos nos dois últimos meses de 2025 e de 25 milhões de toneladas anuais entre 2026 e 2028. Em maio deste ano, após a visita de Trump à China, novos detalhes também foram formalizados posteriormente, incluindo o compromisso de US$ 17 bilhões anuais em produtos agrícolas além da soja. A expectativa do mercado, portanto, está concentrada na eventual divulgação de documento com os termos e volumes das compras. Declarações do representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, também indicaram a possibilidade de novos detalhes sobre os entendimentos alcançados. Ainda não há confirmação oficial de novos anúncios. Antes da reunião, o governo norte-americano havia indicado que pretendia acompanhar a implementação dos compromissos recentes com a China e ampliar o acesso ao mercado chinês para produtores norte-americanos.

O milho aparece entre os produtos com potencial para ganhar espaço caso a China detalhe as compras agrícolas além da soja. Em períodos anteriores em que o comércio agrícola dos Estados Unidos com a China atingiu volumes semelhantes, milho e derivados tiveram participação relevante. Esse grupo inclui os DDGs, grãos secos de destilaria utilizados na alimentação animal e obtidos como coproduto da fabricação de etanol, além de etanol e outros produtos derivados do milho. Há relatos de compradores chineses sondando ofertas de DDGs e outros produtos relacionados ao milho, mas ainda sem negócios confirmados. A movimentação indica potencial interesse da China por produtos que podem compor a parcela de compras agrícolas prevista no compromisso de US$ 17 bilhões, embora o mercado ainda dependa de confirmação oficial para transformar as sondagens em demanda efetiva.

Os dados históricos reforçam o potencial do cereal nas relações comerciais entre os dois países. No ano fiscal de 2022, quando as exportações agrícolas dos Estados Unidos para a China atingiram o recorde de US$ 36,4 bilhões, a soja respondeu por US$ 16,4 bilhões e o milho por mais de US$ 4,8 bilhões, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A ausência de anúncio imediato, portanto, não significa necessariamente que a reunião tenha terminado sem avanços comerciais. O diálogo entre Washington e Pequim reduziu parte das tensões, mas o mercado agora depende de detalhes concretos para confirmar como serão executados os compromissos agrícolas. A eventual divulgação de novos termos durante pode gerar reação nas cotações, especialmente diante do elevado posicionamento comprado observado antes do encontro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.