25/Sep/2026
Segundo a Stag International, a China pode precisar comprar entre 4 milhões e 5 milhões de toneladas de milho dos Estados Unidos para cumprir o compromisso anual de US$ 17 bilhões em aquisições de produtos agrícolas norte-americanos fora da soja. O impacto dessas compras sobre os preços, contudo, permanece incerto e dependerá de quanto do volume representar demanda efetivamente adicional e quanto corresponder apenas à substituição de exportações que os Estados Unidos já capturariam posteriormente na safra 2026/27. A confirmação da demanda física é considerada o principal fator para determinar a intensidade do impacto sobre o mercado. Entre janeiro e julho, as compras agrícolas chinesas dos Estados Unidos, excluindo a soja, somaram US$ 3,9 bilhões, abaixo da meta anual de US$ 17 bilhões.
Para cumprir o compromisso, a China teria de acelerar o ritmo de aquisições e redirecionar parte da demanda atualmente atendida por Brasil, Argentina, Canadá e Austrália. No curto prazo, o milho norte-americano permanece menos competitivo que o produto da América do Sul. Para embarque em novembro, as ofertas dos Estados Unidos estavam acima da referência na Bolsa de Chicago, no Brasil e na Argentina. A diferença de preços ajuda a explicar por que os compromissos de exportação norte-americanos da nova safra somam cerca de 15 milhões de toneladas até o momento, aproximadamente 6 milhões de toneladas abaixo do registrado em igual período do ano passado. A projeção é de mudança gradual desse cenário no 1º semestre de 2027, quando a disponibilidade para exportação da safra velha de Brasil e Argentina estiver mais reduzida e a Ucrânia precisar demonstrar capacidade de atender regularmente à demanda europeia.
Nesse período, o milho dos Estados Unidos tende a ganhar competitividade, abrindo espaço para maior participação nas compras internacionais. Nesse cenário, eventual avanço das compras chinesas poderia apertar de forma mais relevante o balanço norte-americano e dar suporte adicional aos contratos futuros. Sem confirmação da demanda física, entretanto, a sustentação de uma nova rodada de valorização tende a ser mais limitada, com o comportamento dos preços dependendo cada vez mais da materialização das compras e menos das expectativas em torno de possíveis negócios. No Brasil, o cenário é diferente. A Stag manteve em 5,7 milhões de toneladas a projeção de exportações de milho em setembro e deixou inalteradas as estimativas para outubro e novembro. A demanda doméstica para produção de etanol tem contribuído para compensar embarques externos menores, em um momento de perda de participação em mercados relevantes.
O Irã aumentou as compras de milho da Rússia, enquanto o Vietnã direcionou parte das aquisições para a Argentina, movimento que tende a persistir. Entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, esses dois mercados, somados a outros destinos do Oriente Médio, haviam acrescentado mais de 3 milhões de toneladas à demanda pelo milho brasileiro. Esse volume adicional pode não se repetir na temporada atual, reduzindo o espaço para expansão dos embarques brasileiros. Diante desse cenário, a projeção é de um 4º trimestre mais desafiador para os exportadores brasileiros. Os prêmios praticados pelo Brasil ainda não recuaram o suficiente para estimular demanda internacional adicional, enquanto a Argentina permanece competitiva em diversos destinos. Por enquanto, a corretora não trabalha com viés de alta para as projeções de exportações brasileiras nem para os preços do milho.
Na Argentina, a Stag elevou em 500 mil toneladas as projeções de exportação para setembro e outubro, com a estimativa de setembro passando a 4,8 milhões de toneladas. O ajuste representa antecipação de embarques inicialmente previstos para janeiro e fevereiro de 2027, mantendo a projeção de exportações do ano-safra em 48,7 milhões de toneladas, ante 29 milhões de toneladas na temporada anterior. Mesmo com o maior ritmo de embarques, a expectativa é de estoque de passagem de cerca de 4 milhões de toneladas ao fim do ciclo. Nos Estados Unidos, a colheita começou em ritmo mais lento que no ano passado, mas o movimento não é uma preocupação relevante neste momento. Também existem discussões sobre eventual redução da produtividade, porém ainda não há evidências de campo suficientes para concluir que o rendimento nacional ficará abaixo de 11,20 toneladas por hectare. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.