25/Sep/2026
Segundo estudo do Instituto Chatham House em parceria com o Forest Stewardship Council (FSC), a produção global de biocombustíveis deve crescer 68% até 2030 ante os níveis de 2025. A expansão ocorre em meio ao aumento das exigências de mistura adotadas por países produtores como resposta à crise energética desencadeada pela guerra entre Estados Unidos e Irã e pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz. China, Índia, Indonésia, Estados Unidos, União Europeia e Brasil propuseram ou adotaram medidas mais rigorosas para a mistura de biocombustíveis desde o início da guerra com o Irã, em fevereiro de 2026.
A ampliação dos mandatos de mistura tende a elevar a demanda global por matérias-primas agrícolas destinadas à produção de combustíveis renováveis. A expansão projetada pode exigir cerca de 36 milhões de hectares adicionais de terras agrícolas em todo o mundo, área equivalente ao território da Alemanha. O aumento da utilização de áreas para produção de matérias-primas para biocombustíveis também pode elevar a pressão sobre florestas e outros ecossistemas em regiões ambientalmente sensíveis. A maior demanda por biocombustíveis amplia a competição por terras e matérias-primas agrícolas.
Uma expansão acelerada e pouco coordenada pode elevar o consumo de culturas como óleo de palma, soja, milho e arroz, especialmente em um cenário de menor disponibilidade de fertilizantes provocada por conflitos e de impactos do El Niño sobre a produção agrícola. A combinação entre maior demanda por matérias-primas para biocombustíveis, restrições na oferta de insumos e riscos climáticos pode pressionar os preços de alimentos e óleos vegetais. Esse movimento aumenta os riscos para a segurança alimentar em 2026 e nos anos seguintes, ao estabelecer maior competição entre os destinos energético e alimentar da produção agrícola. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.