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24/Sep/2026

Preços do milho estáveis com exportações lentas

Os preços do milho no mercado interno devem seguir com pouco espaço para avanço no curto prazo, diante da desaceleração das exportações e da perda de competitividade do País frente à Argentina e aos Estados Unidos. A menor demanda externa prevista ajuda a explicar a acomodação das cotações depois da alta observada nas últimas semanas. Tanto os embarques realizados quanto a programação de navios seguem abaixo dos níveis do ano passado. Tradings têm encontrado margens apertadas para originar milho no Brasil, enquanto a Argentina conta com oferta grande e preços baixos.

O Brasil perdeu competitividade. Apesar disso, pode haver "alguma melhora" dos embarques no último trimestre. No mercado interno, os produtores seguem resistentes a vender à espera de preços mais altos, o que reduz a oferta imediata. Esse movimento, porém, é limitado pelo volume ainda disponível. Para o fim do ano, o câmbio pode alterar esse equilíbrio. Uma desvalorização do Real tende a melhorar a paridade de exportação e dar suporte às cotações domésticas. Até lá, a combinação entre oferta ainda elevada e exportações abaixo do esperado deve limitar uma recuperação mais forte dos preços.

Em São Paulo, na região de Campinas, a limitação das exportações é visível no descolamento entre os preços dos portos e do consumo doméstico. As indicações para entrega no Porto de Santos, em outubro, giram em torno de R$ 70,50 por saca de 60 Kg, estável nos últimos sete dias. Esse valor é considerado inviável pelo produtor. Esse cenário faz com que o mercado interno assuma a liderança dos negócios, com fábricas de ração indicando entre R$ 68,50 e R$ 70,00 por saca de 60 Kg CIF, em igual prazo de entrega. Para 2ª safra de 2027, tradings indicam R$ 72,50 por saca de 60 Kg CIF Porto de Santos, para entrega em agosto e pagamento em setembro.

Em Mato Grosso, na região de Primavera do Leste, a dinâmica também confirma a sustentação trazida pelo mercado doméstico em detrimento dos canais de exportação. Tradings mantêm as indicações de R$ 54,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque em novembro (em negociação direta com o produtor) e R$ 57,00 por saca de 60 Kg FOB, via cooperativa. As indústrias de etanol adquirem o cereal a R$ 56,00 por saca de 60 Kg FOB, no mesmo prazo, sustentando um fluxo de vendas pontuais.