ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

22/Sep/2026

Preços do milho firmes com produtor retendo oferta

Os preços do milho no Brasil podem manter viés de alta nos próximos meses, mas sem repetir a intensidade do movimento observada em agosto. O cenário internacional continua favorável às cotações, com estoques globais menores e problemas de produção no Hemisfério Norte, enquanto a disponibilidade doméstica e exportações abaixo do ano passado limitam a transmissão dessa alta ao mercado brasileiro. Embora parte do milho esteja retida pelos produtores, ainda existe volume relevante que poderá chegar ao mercado conforme os preços avancem. A alta dos preços registrada em agosto reforçou a disposição dos produtores de carregar o cereal.

Depois deste movimento, as cotações perderam ritmo, mas sem devolver grande parte dos ganhos. O produtor está vendo o carrego do milho como uma estratégia. Essa decisão também se apoia no resultado dos últimos anos. Produtores com disponibilidade financeira e capacidade de armazenamento conseguiram margens favoráveis ao postergar a comercialização para o fim do ano ou o início da temporada seguinte. O comportamento dos vendedores ajuda a sustentar os preços no presente, mas também representa oferta potencial para os próximos meses. Essa disponibilidade doméstica é justamente o que diferencia o Brasil do cenário internacional.

No exterior, os fundamentos são mais favoráveis aos preços, com redução dos estoques globais projetados para 2026/27, problemas na produção europeia e produtividade menor nos Estados Unidos. No Brasil, porém, o quadro é mais confortável. As exportações devem crescer sazonalmente até o fim do ano, mas seguem abaixo do ritmo observado em 2025. Há possibilidade de o País carregar para a próxima temporada um volume de milho igual ou um pouco superior ao registrado no ciclo anterior. Isso acaba sendo um fator de peso nas cotações.

No Paraná, na região de Ponta Grossa, os produtores estão retendo o grão. Fábricas de ração sustentam indicações entre R$ 68,00 e R$ 70,00 por saca de 60 Kg CIF, enquanto tradings indicam entre R$ 71,00 e R$ 72,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, para entrega em setembro e pagamento em outubro. Para safra de verão (1ª safra 2026/27), as indicações de fábricas são de R$ 72,00 por saca de 60 Kg CIF, mas os vendedores estão focados no plantio.

Em Mato Grosso, na região de Sorriso, os preços seguem firmes, sustentados pela cautela do vendedor. Tradings indicam entre R$ 53,00 e R$ 54,00 por saca de 60 Kg FOB, via cooperativas, para embarque e pagamento em novembro. A exportação tem se mostrado mais vantajosa para o produtor do que a venda para as indústrias locais de etanol. As usinas estão demandando, mas exigem entrega CIF e prazos de pagamento que chegam a 60 dias. O produtor não quer assumir o frete e prefere o prazo mais curto da exportação. Para 2ª safra de 2027, as usinas indicam entre R$ 50,00 e R$ 51,00 por saca de 60 Kg CIF, enquanto fábricas de ração adquirem o cereal antecipado a R$ 52,00 por saca de 60 Kg FOB, para liquidação em setembro próximo ano.