18/Sep/2026
Segundo o Rabobank, os preços da soja pagos aos produtores no Brasil subiram 8% em setembro, enquanto as cotações do milho nas propriedades avançaram 8% em agosto, na comparação mensal, impulsionados pela demanda e pela valorização dos contratos futuros na Bolsa de Chicago. Na soja, a alta dos preços ocorre mesmo após o Brasil ter colhido uma safra recorde em 2025/26. A demanda externa permanece elevada, enquanto incertezas no complexo da oleaginosa dão sustentação às cotações. Em agosto, as exportações brasileiras de soja somaram 9,8 milhões de toneladas, queda de 27% ante julho, mas aumento de 5% em relação a agosto de 2025. No acumulado de janeiro a agosto, os embarques alcançaram 92,8 milhões de toneladas, alta de 7% ante igual período do ano passado. Para o quarto trimestre de 2026, a entressafra brasileira, combinada à colheita nos Estados Unidos e à expectativa de aumento das vendas norte-americanas para a China, pode limitar o volume de soja exportado pelo Brasil.
O cenário tende a deslocar parte da demanda internacional para a produção norte-americana durante o período de maior disponibilidade nos Estados Unidos. Na safra brasileira de soja 2026/27, os trabalhos de plantio já começaram no Paraná, em Mato Grosso e em São Paulo, mas o avanço permanece limitado. As condições climáticas em Mato Grosso e no Paraná podem reduzir temporariamente o ritmo das operações de campo. Contudo, é prematuro determinar eventuais impactos sobre o desenvolvimento ou o potencial produtivo das lavouras. No milho, a valorização dos contratos futuros na Bolsa de Chicago melhorou a competitividade do cereal brasileiro no mercado externo.
As exportações alcançaram 4,66 milhões de toneladas em agosto, alta de 140% ante julho e queda de 32% em relação a agosto de 2025. No acumulado de janeiro a agosto de 2026, o Brasil exportou 14,5 milhões de toneladas de milho, recuo de 8% na comparação anual. Apesar da forte aceleração dos embarques em agosto ante julho, o Rabobank projeta redução do volume total exportado pelo Brasil em 2026 em relação a 2025. O comportamento dos preços de soja e milho no mercado doméstico segue, portanto, condicionado pela combinação entre demanda, formação das cotações internacionais e disponibilidade sazonal. Na soja, a entressafra brasileira e a entrada da safra norte-americana podem alterar o fluxo de exportações no quarto trimestre, enquanto no milho a valorização em Chicago melhora a competitividade brasileira, mas não elimina a perspectiva de menor volume embarcado no ano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.