18/Sep/2026
A semeadura do milho safra de verão (1ª safra 2026/27) avança acima do ritmo registrado no ciclo anterior, com expectativa de expansão da área, principalmente nos Estados da Região Sul. A perspectiva de chuvas mais favoráveis associada ao El Niño e a recuperação recente das cotações do cereal melhoraram as condições para ampliação do plantio. Apesar do cenário mais positivo, os produtores seguem atentos à composição dos custos de produção e à relação de troca dos insumos. Segundo o boletim semanal de progresso de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em 14 de setembro, a semeadura do milho safra de verão (1ª safra 2026/27) alcançou 17,6% da área prevista no País, avanço de 6,6% em uma semana. No mesmo período da safra anterior, o plantio atingia 14,7% da área, enquanto a média dos últimos cinco anos é de 14,4%. O Rio Grande do Sul lidera o avanço, com 54% da área prevista já semeada, seguido pelo Paraná, com 34%, e por Santa Catarina, com 21,7%.
O Itaú BBA projeta aumento de pelo menos 70 mil hectares na área de milho no Rio Grande do Sul e no Paraná. Na safra anterior, os dois Estados somaram 1,18 milhão de hectares semeados, segundo a Conab. A perspectiva hídrica mais favorável e a possibilidade de margens melhores podem direcionar para o milho áreas que, em outras condições, seriam destinadas a culturas concorrentes. Minas Gerais, também relevante na produção de milho verão, pode registrar movimento semelhante, com expansão do cereal sobre áreas de soja. A composição dos custos, contudo, limita parte do ganho de margem. A formação da safra ocorreu em um período de relação de troca desfavorável na aquisição de insumos, levando a ajustes no pacote tecnológico. Houve redução da aplicação de fertilizantes fosfatados e maior utilização de potássicos, que apresentavam relação de troca mais favorável. A pressão dos fertilizantes permanece como fator de atenção para a rentabilidade, mesmo com a melhora recente das cotações do milho.
No Rio Grande do Sul, a expectativa de maior volume de chuvas elevou o otimismo em relação à safra de verão (1ª safra 2026/27), após perdas nos dois últimos ciclos provocadas por estiagens e redução da produtividade. A disponibilidade hídrica é historicamente um dos principais fatores que limitam a expansão do milho no Estado, enquanto os anos de El Niño tendem a apresentar condições mais favoráveis de precipitação. A Emater-RS projeta área de 896,4 mil hectares para o milho safra de verão (1ª safra 2026/27) no Rio Grande do Sul em 2026/27, alta ante os 817,1 mil hectares registrados pela Conab em 2025/26. A produtividade é estimada em 7.711 Kg por hectare, com produção de aproximadamente 6,91 milhões de toneladas, ante 6 milhões de toneladas colhidas no ciclo anterior. O aumento da área também está relacionado à busca por rotação de culturas, à viabilidade econômica do milho em relação à soja e à atuação de políticas públicas, como o Programa Extraordinário de Recuperação das Lavouras de Milho e Sorgo do Governo do Estado do RS, que oferece subsídio de 100% no custo das sementes de milho e sorgo para agricultores e pecuaristas familiares.
No mercado de insumos do Rio Grande do Sul, não foi observada substituição relevante de fertilizantes químicos por alternativas de menor custo, apesar da forte alta dos preços dos adubos desde o início da guerra no Irã. O perfil mais estruturado dos produtores de milho contribui para a manutenção dos investimentos necessários à implantação das lavouras, reduzindo a disposição para cortes mais acentuados no pacote tecnológico. Em Santa Catarina, o fator climático também favorece a expansão do milho sobre áreas que poderiam ser destinadas à soja. A Epagri/SC Cepa projeta aumento de 2,5% na área de milho grão, para um acréscimo de 6,6 mil hectares ante os 265,5 mil hectares semeados na primeira safra 2025/26. A produção total de milho grão é estimada em 2,59 milhões de toneladas, alta de 1,7% em relação ao ciclo anterior. A expectativa é de que, em anos de El Niño, o milho apresente menor exposição a perdas por excesso de chuva do que a soja em determinadas regiões de Santa Catarina, favorecendo a substituição de áreas.
Apesar do aumento da produção decorrente da maior área, a produtividade média estadual deve recuar 0,8%. O risco de eventos de chuva extrema associados ao El Niño permanece como fator de atenção para o potencial produtivo. No Paraná, em contraste com a expansão observada no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a safra de verão (1ª safra 2026/27) mantém participação mais restrita e concentrada em regiões de maior altitude e na produção de silagem. Na área de atuação da Coamo Agroindustrial Cooperativa, em Campo Mourão, a área de milho na safra de verão (1ª safra 2026/27) deve ficar entre 25 mil e 30 mil hectares, em linha com a safra anterior, com recebimento estimado entre 5 milhões e 6 milhões de sacas. A predominância da soja na safra de verão limita a expansão do milho no Estado. Na área de atuação da cooperativa, o plantio iniciado entre o fim de agosto e o início de setembro foi temporariamente interrompido pelo excesso de umidade provocado pelas chuvas da primeira quinzena de setembro.
Os produtores já haviam adquirido a totalidade dos insumos e mantiveram os investimentos em sementes híbridas. Houve redução pontual no nível de tecnologia empregado em fertilizantes, mas sem impacto relevante na área de atuação da cooperativa. Para híbridos de milho e variedades de soja, a preferência permaneceu concentrada nos materiais de maior desempenho. O cenário para o milho safra de verão (1ª safra 2026/27), portanto, combina expansão potencial da área na Região Sul, recuperação das cotações e perspectiva climática mais favorável, principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. A principal variável de risco permanece associada ao comportamento das chuvas durante o ciclo, especialmente diante da possibilidade de eventos extremos, enquanto os custos de fertilizantes e a relação de troca com o cereal seguem determinantes para a definição das margens. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.