17/Sep/2026
O risco de novas revisões expressivas na produtividade do milho dos Estados Unidos perdeu força, deslocando a demanda para o centro da formação dos preços. A Stag International mantém viés altista para o médio prazo, sustentado pela possibilidade de um balanço norte-americano mais apertado do que o projetado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). No curto prazo, porém, a oferta competitiva de Brasil e Argentina tende a limitar o avanço das exportações norte-americanas até o fim do ano. Os dados estaduais e os resultados do Crop Tour indicam espaço limitado para novas quedas expressivas nas regiões produtoras do oeste. Uma eventual piora em Iowa poderia ser parcialmente compensada por desempenho superior em Minnesota. Nesse cenário, alterações pontuais na produtividade tendem a produzir impacto limitado sobre os preços.
Sem uma mudança mais significativa nas próximas estimativas, a atenção do mercado deve se deslocar progressivamente para o resultado da colheita e, principalmente, para o comportamento da demanda. A perspectiva de estoques menores sustenta a visão para os preços no médio prazo, mas a confirmação do balanço mais apertado dependerá dos próximos indicadores. Entre os principais pontos de acompanhamento estão a produção semanal de etanol, os estoques trimestrais de grãos, as vendas semanais para exportação, os preços do petróleo e os desdobramentos geopolíticos no Mar Negro. No curto prazo, Brasil e Argentina permanecem competitivos na disputa pela demanda global. O milho brasileiro para embarque em novembro é ofertado com prêmio de cerca de +US$ 0,90 a 0,92 por bushel, ante aproximadamente +US$ 0,99 por bushel nos Estados Unidos. A origem argentina aparece ainda mais competitiva, com prêmio próximo de +US$ 0,55 por bushel.
Essa estrutura tende a manter as vendas semanais norte-americanas relativamente contidas até o fim do ano. No Brasil, a Stag reduziu sua estimativa de exportações de milho em setembro de 6,2 milhões para 5,7 milhões de toneladas, diante do ritmo de embarques inferior ao observado no ano passado. Para o ciclo completo, a projeção permanece próxima de 36 milhões de toneladas. A demanda doméstica das usinas de etanol, por outro lado, contribui para compensar parcialmente a menor intensidade das exportações. A comercialização da 2ª safra de 2026 é estimada entre 67% e 69%. As usinas de etanol estariam cobertas até o fim do primeiro trimestre de 2027, enquanto os exportadores teriam cobertura até outubro. A combinação de estoques relativamente confortáveis nas mãos dos compradores, vendas adicionais ainda pendentes por parte dos produtores e ritmo mais lento das exportações deve manter os prêmios FOB brasileiros competitivos no curto prazo.
Na Argentina, o cenário é de maior intensidade exportadora. A Stag elevou em 300 mil toneladas sua estimativa de exportações de milho em setembro, para 4,3 milhões de toneladas, e considera possível um desempenho superior ao esperado também em outubro. O viés é de alta para a projeção anual, atualmente em 42,8 milhões de toneladas. Para os Estados Unidos, uma aceleração mais consistente das exportações tende a ocorrer no início de 2027, quando a disponibilidade sul-americana normalmente perde força por fatores sazonais. A possibilidade de aumento da participação norte-americana na demanda europeia também pode ser ampliada caso persistam restrições logísticas no Mar Negro. Até o fim do ano, a formação dos preços deve permanecer mais sensível aos resultados da colheita norte-americana e aos acontecimentos geopolíticos do que a alterações estruturais na demanda. Para o médio prazo, a perspectiva permanece de alta, condicionada à confirmação de estoques norte-americanos mais apertados e à retomada mais forte da demanda pelo milho dos Estados Unidos em 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.