17/Sep/2026
Os preços internacionais do milho mantêm trajetória de alta diante do aperto na relação entre estoques e consumo global, que deve atingir em 2026/27 o menor nível dos últimos 10 anos. Segundo a StoneX, a transição da safra 2026/27 para a 2027/28 deve ocorrer com estoques equivalentes a cerca de 20% do uso mundial do cereal, refletindo uma relação mais ajustada entre oferta e demanda. O cenário internacional é influenciado principalmente pela redução da produção nos Estados Unidos, resultado de menor área plantada e produtividade limitada, enquanto o consumo permanece sustentado tanto no mercado norte-americano quanto no cenário global. A disponibilidade para exportação também é afetada pelas dificuldades de escoamento no Mar Negro, após a intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia a partir de maio, com ataques à infraestrutura portuária e a navios civis que interromperam o embarque de grãos da Ucrânia, importante fornecedor mundial de milho.
Com a redução dos embarques ucranianos, compradores internacionais passaram a recorrer com maior intensidade a origens como Estados Unidos e Argentina. A redistribuição da demanda contribui para sustentar as cotações na Bolsa de Chicago e no mercado brasileiro, em um ambiente de maior competição pelo cereal disponível. No Brasil, a demanda avança em ritmo superior ao crescimento da produção no curto prazo. Levantamento aponta expansão superior a 4 milhões de toneladas no consumo de milho destinado à produção de etanol em um intervalo de 12 meses. Ao mesmo tempo, a demanda externa aquecida aumenta a necessidade de remuneração mais elevada para manter o milho disponível no mercado interno, elevando a disputa entre os compradores domésticos e internacionais. Para a safra 2026/27, a área cultivada com milho na safra de verão (1ª safra 2026/2027) deve crescer pelo segundo ano consecutivo.
Na 2ª safra de 2027, principal componente da oferta nacional, os custos elevados devem favorecer estabilidade ou leve redução da área em algumas regiões, especialmente diante da concorrência com algodão e sorgo nas áreas mais ao Norte do País. Além dos custos e da competição por área, o fenômeno El Niño representa um risco adicional para a produtividade da segunda safra. O padrão climático pode reproduzir dificuldades observadas nos ciclos 2015/16 e 2023/24, aumentando a incerteza sobre o potencial produtivo da principal janela de oferta de milho do Brasil. O mercado global, portanto, entra na transição para 2027/28 com menor margem de segurança nos estoques e forte dependência da evolução da produção dos principais exportadores. No Brasil, a combinação entre demanda crescente, competição com outras culturas por área e risco climático mantém o balanço doméstico como fator relevante para a formação dos preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.