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16/Sep/2026

Futuros do milho em alta acompanhando petróleo

Os futuros de milho fecharam em leve alta na Bolsa de Chicago nesta terça-feira (15/09), sustentados principalmente pelo fortalecimento do petróleo, que melhora a competitividade relativa do etanol produzido nos Estados Unidos, onde o milho é a principal matéria-prima para o biocombustível. O contrato dezembro avançou 2,50 cents, ou 0,47%, e fechou a US$ 5,35 por bushel. A valorização também foi apoiada por problemas nas safras da União Europeia, decorrentes de sucessivas ondas de calor em alguns países do bloco, e pela continuidade do conflito no Mar Negro. A consultoria APK-Inform reduziu de 24 milhões para 22 milhões de toneladas sua estimativa para as exportações de milho da Ucrânia, quarto maior fornecedor mundial, em razão das atuais restrições aos embarques do país. A evolução da colheita nos Estados Unidos, contudo, limitou uma alta mais expressiva das cotações.

Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os trabalhos alcançavam 8% da área no dia 13 de setembro, ante 7% na mesma data do ano anterior e 6% na média dos cinco anos anteriores. O USDA informou ainda que 57% da safra apresentava condição boa ou excelente, avanço de 1% em relação à semana anterior. Apesar da alta registrada nas duas últimas sessões, o mercado continua exposto à realização de lucros, diante do elevado posicionamento dos fundos. Dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) mostram que os fundos aumentaram em 3,36% a posição líquida comprada em milho na Bolsa de Chicago na semana encerrada em 8 de setembro, de 401.003 para o recorde de 414.459 lotes. O comportamento dos preços combina, portanto, fatores altistas e baixistas. De um lado, o petróleo mais valorizado melhora a relação econômica do etanol e sustenta a demanda potencial por milho nos Estados Unidos, enquanto os problemas climáticos na União Europeia e as restrições às exportações ucranianas reduzem a percepção de oferta disponível no mercado internacional.

De outro, o avanço da colheita norte-americana aumenta a disponibilidade física e pode limitar a sustentação das cotações. A elevada exposição dos fundos também amplia a sensibilidade do mercado a movimentos de liquidação. O posicionamento líquido comprado em nível recorde aumenta a possibilidade de realização caso novos fatores baixistas surjam, especialmente relacionados ao avanço da colheita nos Estados Unidos ou à confirmação de uma oferta maior que a inicialmente esperada. No curto prazo, a direção dos preços deverá depender da velocidade da colheita norte-americana, da evolução das condições das lavouras, do comportamento do petróleo e dos desdobramentos no Mar Negro. A combinação entre demanda por etanol, menor oferta potencial de importantes exportadores e elevada posição especulativa mantém o milho sujeito a maior volatilidade.