16/Sep/2026
A produção brasileira de milho deve alcançar 148,0 milhões de toneladas na safra 2026/27, alta de 2,8% ante as 144,01 milhões de toneladas estimadas para 2025/26, segundo projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estimativa considera as três safras do cereal. A área plantada deve crescer 4,9%, de 22,60 milhões para 23,70 milhões de hectares. Em sentido contrário, a produtividade média nacional deve recuar 2,0%, de 6.372 para 6.244 quilos por hectare. Dessa forma, o avanço da produção será determinado principalmente pela expansão da área, compensando a redução do rendimento médio das lavouras.
Na safra de verão (1ª safra 2026/27), a área cultivada deve aumentar 10,7%, para 4,54 milhões de hectares, enquanto a produção deve crescer 8,9%, para 32,11 milhões de toneladas. Na 2ª safra de 2027, a área deve avançar 3,7%, para 18,48 milhões de hectares, e a produção deve aumentar 1,0%, para 113,23 milhões de toneladas. O potencial produtivo da 2ª safra de 2027 continuará condicionado ao calendário de plantio da soja, à janela disponível para a implantação do milho e às condições climáticas durante o ciclo. As exportações brasileiras de milho devem crescer 4,8%, de 43,92 milhões para 46,02 milhões de toneladas em 2026/27.
A Conab projeta manutenção dos embarques em patamar elevado, favorecidos pela disponibilidade do cereal e pela competitividade brasileira no mercado internacional. A concorrência com Estados Unidos e Argentina, além das oscilações cambiais e dos custos logísticos, continuará influenciando o ritmo das vendas externas. O consumo interno deve apresentar expansão mais acentuada, passando de 98,20 milhões para 104,81 milhões de toneladas, alta de 6,7%. A demanda doméstica mantém trajetória de crescimento, sustentada pela indústria de rações e, principalmente, pela expansão da produção de etanol de milho, que consolidou uma nova fonte estrutural de consumo do cereal no Brasil.
Com o consumo e as exportações crescendo em ritmo superior ao da produção, os estoques finais devem recuar de 15,65 milhões para 14,53 milhões de toneladas, queda de 7,2%. Apesar da redução, a Conab considera o volume projetado suficiente para garantir o abastecimento do mercado interno. O balanço da safra 2026/27 indica, portanto, crescimento da oferta baseado principalmente na expansão da área, enquanto a demanda doméstica ganha velocidade com o avanço do setor de etanol de milho. A combinação de maior consumo, aumento das exportações e redução dos estoques tende a deixar o mercado brasileiro mais sensível a eventuais perdas de produtividade e a alterações nas condições climáticas, especialmente na definição da 2ª safra de 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.