16/Sep/2026
A demanda doméstica por milho no Brasil deverá crescer em ritmo superior ao da produção na safra 2026/27, impulsionada principalmente pela expansão da indústria de etanol de milho e pelo aumento do consumo das cadeias de proteína animal. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima consumo interno de 104,81 milhões de toneladas, alta de 6,7% ante as 98,20 milhões de toneladas previstas para 2025/26, enquanto a produção total deverá crescer 2,8%, para 148 milhões de toneladas. A diferença entre os ritmos de crescimento da demanda e da oferta deverá reduzir os estoques finais de milho de 15,65 milhões para 14,53 milhões de toneladas.
Mesmo com a retração, o volume projetado permanece elevado em relação ao histórico recente. As exportações também deverão avançar, de 43,92 milhões para 46,02 milhões de toneladas, mantendo o mercado externo como importante componente do escoamento da produção brasileira. A expansão do consumo interno está associada principalmente a duas frentes estruturais: a indústria de etanol de milho e a produção de rações destinadas às cadeias de proteína animal. O processamento doméstico crescente amplia a agregação de valor ao cereal, gera demanda industrial e reduz parcialmente a dependência das exportações para o equilíbrio do mercado.
A maior demanda já começa a se refletir nos preços. Nos últimos 12 meses, a cotação ao produtor acumulou alta de 7,2%, contribuindo também para melhorar o incentivo econômico ao plantio. O preço médio considerado pela Conab é de R$ 51 por saca nos principais Estados produtores, com Mato Grosso apresentando valores um pouco inferiores e Paraná, cotações um pouco superiores. Apesar da redução projetada dos estoques, o volume de 14,53 milhões de toneladas ainda é considerado confortável diante dos níveis observados em safras recentes. Na temporada 2023/24, por exemplo, uma quebra provocada por questões climáticas reduziu a produção de 130 milhões para 115 milhões de toneladas, evidenciando a maior vulnerabilidade do balanço em períodos de menor oferta. A produção brasileira de milho em 2026/27 é estimada em 147,99 milhões de toneladas.
A safra de verão (1ª safra 2026/27) deverá crescer 8,9%, para 32,11 milhões de toneladas, com expansão de 10,7% da área, para 4,54 milhões de hectares. A 2ª safra de 2027, principal componente da oferta nacional, deverá alcançar 113,23 milhões de toneladas, aumento de 1% ante 2025/26, com área 3,7% maior. A terceira safra deverá somar 2,66 milhões de toneladas, alta de 11,2%. Mesmo com o aumento da produção, a produtividade média do milho deverá recuar 2%, de 6.372 para 6.244 quilos por hectare. A expansão da oferta dependerá, portanto, principalmente do crescimento da área cultivada, em um cenário de demanda doméstica mais dinâmica. O mercado de milho entra na safra 2026/27 com uma estrutura de demanda mais diversificada e crescente participação do processamento interno. O avanço do etanol de milho e das cadeias de proteína animal tende a sustentar o consumo, enquanto o crescimento das exportações mantém uma parcela relevante da produção direcionada ao mercado externo. Esse equilíbrio entre oferta, processamento doméstico e embarques será determinante para a formação dos preços e para a evolução dos estoques ao longo do ciclo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.