16/Sep/2026
A demanda tende a ganhar mais influência do que novas revisões na produtividade do milho dos Estados Unidos na formação dos preços ao longo do restante do ano comercial, segundo avaliação da StoneX. A perspectiva considera que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) já promoveu dois cortes consecutivos na estimativa de rendimento, mas o histórico mostra que essa sequência não implica necessariamente novas reduções até o fechamento da safra. No relatório mensal de oferta e demanda (Wasde) de setembro, o USDA reduziu a produtividade nacional do milho para 11,2 toneladas por hectare. O número ficou acima da média das estimativas do mercado. A revisão de setembro foi a segunda consecutiva, após o corte realizado em agosto.
A análise histórica indica que novas reduções de produtividade não são automáticas após dois cortes consecutivos. Nos últimos 15 anos, houve quatro temporadas em que o USDA reduziu o rendimento em agosto e setembro. Considerando especificamente os ciclos em que o primeiro corte ocorreu em agosto e foi seguido por nova redução em setembro, 2011/12 e 2022/23 são referências relevantes. O ciclo 2022/23 apresenta maior similaridade com o cenário atual. Naquele ano, o USDA reduziu a produtividade entre julho e setembro, mesma redução acumulada observada em 2026 nos dois últimos relatórios. Em outubro, porém, o corte foi pequeno, seguido posteriormente por revisões positivas. A heterogeneidade das condições de campo também dificulta a projeção de um novo corte expressivo.
Algumas regiões dos Estados Unidos enfrentaram problemas de polinização e enchimento de grãos, enquanto outras registraram condições favoráveis e produtividades elevadas. O resultado final dependerá da combinação desses diferentes desempenhos em uma única produtividade nacional. Nesse contexto, o lado da demanda do balanço tende a exercer influência crescente sobre as cotações na Bolsa de Chicago. Um dos principais fatores a serem monitorados é o volume adicional de demanda de exportação que poderá ser direcionado aos Estados Unidos diante das restrições aos fluxos de grãos pelo Mar Negro. A capacidade de o mercado norte-americano absorver essa demanda adicional poderá ganhar relevância à medida que diminuam as incertezas sobre o tamanho da safra.
O posicionamento dos fundos também amplia a sensibilidade do mercado. A posição líquida comprada dos grandes gestores atingiu novo recorde, superando inclusive o nível registrado em 2022. A manutenção dessa exposição dependerá da presença de novos fatores capazes de sustentar a valorização das commodities, entre eles uma eventual escalada das tensões entre Rússia e Ucrânia ou uma expansão da demanda direcionada aos Estados Unidos. A inflação constitui outro elemento potencialmente favorável à permanência dos investidores em commodities. O subíndice de grãos e oleaginosas do índice de commodities da StoneX apresentou correlação de 0,89 com a inflação ao consumidor nos últimos cinco anos, acima da relação observada no subíndice de energia.
A elevada correlação indica que commodities agrícolas podem continuar sendo utilizadas como proteção em ambientes de maior pressão inflacionária. Investidores tradicionalmente ampliam a exposição a commodities em períodos de inflação, enquanto parte do mercado avalia que as atuais políticas fiscal e monetária podem contribuir para pressões adicionais sobre os preços. Os efeitos de custos já observados no nível do produtor também podem chegar posteriormente ao consumidor, mantendo o interesse dos fundos pelo segmento por período mais prolongado. Para o mercado de milho, a dimensão final da oferta norte-americana ainda precisa ser consolidada, mas a tendência é de migração gradual do foco para a demanda. Com menor espaço para interpretar novos cortes de produtividade como fator automático de sustentação das cotações, exportações, consumo interno, posicionamento financeiro e ambiente inflacionário devem ganhar maior peso na formação dos preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.