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16/Sep/2026

EUA: avanço da colheita definirá oferta de soja e milho

O avanço da colheita nos Estados Unidos passa a ser determinante para confirmar o cenário de produtividade e oferta de milho e soja na safra 2026/27. A evolução dos trabalhos de campo deverá permitir uma avaliação mais precisa sobre o tamanho efetivo das safras norte-americanas e sobre os impactos das revisões recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) nos mercados internacionais. No milho, as estimativas do USDA se aproximaram das projeções do Pro Farmer divulgadas em agosto, que apontaram produtividade de 181,2 sacas de 60 Kg por hectare e produção de 389,5 milhões de toneladas. Ainda existe, porém, uma diferença de 11,8 milhões de toneladas entre as duas projeções, o que mantém elevada a importância da confirmação dos resultados durante a colheita. O USDA reduziu a estimativa de produtividade do milho norte-americano de 189,0 para 186,4 sacas de 60 Kg por hectare.

Com isso, a produção projetada recuou de 406,75 milhões para 401,33 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais passaram de 41,98 milhões para 39,79 milhões de toneladas. No balanço mundial de milho para 2026/27, os estoques finais também foram reduzidos, de 274,66 milhões para 272,1 milhões de toneladas. A redução da produção dos Estados Unidos oferece algum suporte às cotações internacionais, mas o impacto sobre os preços brasileiros tende a ser limitado pela disponibilidade de milho da Argentina. A oferta argentina mantém forte concorrência com o produto brasileiro nos mercados de exportação e afeta especialmente a logística dos portos brasileiros mais próximos do país vizinho. Assim, a menor oferta norte-americana não necessariamente se traduz em valorização proporcional do milho no Brasil, diante da pressão competitiva exercida pela Argentina.

Na Ucrânia, a produção de milho foi estimada em 31,8 milhões de toneladas, enquanto as exportações devem alcançar 22,0 milhões de toneladas e os estoques finais, 5,5 milhões de toneladas. A disponibilidade desses grandes exportadores continua sendo relevante para a formação dos preços internacionais e para a distribuição dos fluxos de comércio. No mercado de soja, o USDA elevou a produção norte-americana para 123,42 milhões de toneladas, alta de 0,3% em relação à estimativa de agosto. Apesar do aumento da produção, os estoques finais foram reduzidos de 8,71 milhões para 8,43 milhões de toneladas, em razão da revisão das exportações, de 45,18 milhões para 45,86 milhões de toneladas. O quadro mostra que a dimensão da safra, isoladamente, não determina a disponibilidade final, uma vez que o desempenho da demanda externa pode compensar parte do aumento da oferta.

A execução das exportações norte-americanas deverá, portanto, ganhar importância nos próximos meses, especialmente em um ambiente de disputa pela demanda global. A produção mundial de soja em 2026/27 é projetada em 442,35 milhões de toneladas, enquanto os estoques globais devem alcançar 124,02 milhões de toneladas. Na China, principal mercado importador mundial, o USDA manteve a projeção de importações de soja em 115 milhões de toneladas, consumo de 136 milhões de toneladas e estoques de 44,3 milhões de toneladas. O acúmulo de soja nos portos chineses reduziu o ritmo de compras no curto prazo e pressiona as margens das esmagadoras. Pequenas e médias empresas do setor já trabalham com possibilidade de redução do processamento entre dezembro e fevereiro, diante de margens operacionais menores. Esse cenário aumenta a importância do comportamento da demanda chinesa para a formação dos preços internacionais da soja.

Com estoques elevados nos portos e menor ritmo de compras no curto prazo, a capacidade de absorção do mercado chinês será determinante para definir o ritmo das exportações dos Estados Unidos e a distribuição da demanda entre os principais fornecedores. No Brasil, além dos fundamentos de oferta e demanda, o mercado de grãos permanece exposto às oscilações dos preços do petróleo associadas aos conflitos no Oriente Médio. Alterações nas cotações do petróleo afetam os custos de diesel, frete e insumos agrícolas, ao mesmo tempo em que modificam a competitividade do óleo de soja e dos biocombustíveis. Assim, a confirmação das safras norte-americanas pela colheita e o comportamento da demanda internacional deverão se combinar com fatores logísticos e energéticos na definição dos preços ao longo dos próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.