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15/Sep/2026

RS: preocupação com atrasos na entrega de diesel

A Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) protocolou ofício urgente ao diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Artur Watt Neto, cobrando medidas diante de novos relatos de restrições e atrasos na entrega de óleo diesel aos produtores rurais gaúchos. A entidade considera a situação especialmente preocupante porque coincide com o início do plantio da safra de verão (1ª safra 2026/27), em uma janela agronômica limitada. O problema apresenta semelhanças com a crise registrada entre março e abril deste ano, durante a colheita de arroz e soja. Na ocasião, mesmo com a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) operando normalmente e com estoques suficientes no Estado, produtores, Transportadores-Revendedores-Retalhistas (TRRs), postos e municípios enfrentaram fortes limitações de fornecimento. Houve interrupção de operações agrícolas e o diesel chegou a ser comercializado por até R$ 9,00 por litro. As dificuldades alcançaram cerca de 170 municípios e afetaram serviços públicos essenciais.

Estudos indicam que a alta de 21,1% no diesel S10, de R$ 5,97 para R$ 7,23 por litro, poderia elevar em R$ 612,2 milhões os custos diretos das operações mecanizadas nas principais lavouras do Rio Grande do Sul. Em um cenário de preço de R$ 9,00 por litro, as perdas potenciais poderiam chegar a R$ 1,47 bilhão. A repetição das restrições em setembro amplia o risco para a instalação das culturas. A falta de combustível pode atrasar o plantio, reduzir a área cultivada e comprometer a produtividade, além de elevar os custos de produção e transporte. Esses efeitos podem se disseminar pela economia gaúcha e alcançar os preços dos alimentos ao consumidor. Outro fator destacado é a diferença entre os preços domésticos e a paridade de importação. Conforme a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o preço nacional do diesel permaneceu abaixo da paridade de importação durante todo o mês de agosto, com defasagem de até R$ 2,56 por litro.

Nesse contexto, a subvenção de R$ 1,00 por litro anunciada pelo governo federal em 9 de setembro precisa se traduzir em aumento efetivo da oferta, regularidade das entregas e redução dos preços, na avaliação da entidade. A Farsul solicita à ANP fiscalização imediata das distribuidoras que atuam no Rio Grande do Sul, com prioridade para o atendimento aos TRRs, postos independentes e municípios do interior. Também pede a divulgação atualizada e regionalizada dos estoques, pedidos recebidos, volumes entregues, recusas e prazos de atendimento, além do esclarecimento dos critérios utilizados pelas distribuidoras para alocação dos volumes disponíveis. A entidade requer ainda a apuração de eventuais recusas injustificadas, retenção de produto, discriminação entre compradores ou limitação artificial da oferta. A Farsul também solicita informações sobre o calendário de importações e os efeitos práticos da subvenção anunciada pelo governo federal, além da divulgação dos resultados das apurações realizadas durante a crise de março e abril e da apresentação de um plano de contingência específico para os períodos de plantio e colheita. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.