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11/Sep/2026

MT: rentabilidade do milho deve cair em 2026/2027

De acordo com o Projeto Custo de Produção Agropecuário de Mato Grosso (CPA-MT), elaborado pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT), a rentabilidade do milho em Mato Grosso deve recuar 88,16% na safra 2026/27, mesmo com a projeção de crescimento de 16,23% no consumo estadual, impulsionado principalmente pela expansão das usinas de etanol. O Lajida, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, está projetado em R$ 122,26 por hectare para 2026/27. O resultado permanece positivo porque o cálculo considera produtividade de 119,64 sacas de 60 Kg por hectare. Caso o rendimento das lavouras fique abaixo desse nível, a margem operacional poderá ser ainda menor, ampliando a pressão sobre a rentabilidade da cultura.

A receita bruta estimada para a próxima safra é de R$ 5.388,93 por hectare, valor insuficiente para cobrir tanto o Custo Operacional Efetivo (COE) quanto o custo total da atividade. O custo total está projetado em R$ 7.376,08 por hectare, resultando em diferença negativa de R$ 1.987,15 por hectare. O cenário climático representa um risco adicional, especialmente pela influência esperada do fenômeno El Niño, que pode reduzir a produtividade e pressionar ainda mais o Lajida. A principal pressão sobre os custos está concentrada no custeio da lavoura de milho de alta tecnologia, estimado em R$ 3.778,76 por hectare, alta de 13,83% ante a safra anterior. Entre os componentes, os maiores aumentos são observados em defensivos, de 23,63%; mão de obra, de 21,29%; operações mecanizadas, de 11,5%; sementes, de 8,62%; e fertilizantes, de 4,12%. Os fertilizantes representam a maior parcela do desembolso, evidenciando a exposição dos produtores mato-grossenses às oscilações dos preços dos nitrogenados no mercado internacional.

A deterioração da rentabilidade ocorre após uma safra recorde no Estado. Em 2025/26, Mato Grosso produziu 58,04 milhões de toneladas de milho, com produtividade de 130,11 sacas de 60 Kg por hectare, a maior da série histórica do Imea. Nos preços, a safra 2025/26 encerrou agosto com média de R$ 51,61 por saca de 60 Kg, alta de 17,19% no mês. Para 2026/27, a área cultivada deve crescer 0,59%, para 7,48 milhões de hectares. A produtividade, entretanto, está projetada em 119,64 sacas de 60 Kg por hectare, queda de 8,05%, levando a produção a 53,68 milhões de toneladas. Até agosto de 2026, a comercialização da safra 2026/27 alcançou 15,96% da produção estimada no Estado, com cotação média futura de R$ 50,00 por saca de 60 Kg. A demanda interna deverá avançar de forma significativa. O consumo de milho dentro de Mato Grosso está projetado em 27,04 milhões de toneladas em 2026/27, ante uma oferta total de 54,33 milhões de toneladas.

O crescimento de 16,23% do consumo estadual é atribuído principalmente à expansão da capacidade instalada das usinas de etanol de milho, que amplia a absorção do cereal dentro do próprio Estado. A combinação entre maior consumo doméstico e menor produção deve reduzir a disponibilidade para outros mercados. As exportações estão projetadas em 17,5 milhões de toneladas, queda de 27,39% ante a safra anterior, enquanto o consumo interestadual deve recuar 13,64%, para 9,5 milhões de toneladas. O cenário para 2026/27 evidencia uma mudança relevante no balanço do milho em Mato Grosso. Embora a expansão do etanol sustente o crescimento da demanda interna, a redução projetada da produtividade, o aumento dos custos de produção e a menor disponibilidade para exportação comprimem a rentabilidade. Com o custo total acima da receita bruta, o resultado da atividade permanece particularmente dependente da combinação entre produtividade, preços do cereal e evolução dos custos dos principais insumos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.