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11/Sep/2026

EUA: calor e seca ampliam risco de cortes no USDA

Um eventual corte na produtividade do milho dos Estados Unidos pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no relatório de oferta e demanda (Wasde) de setembro pode representar o início de uma sequência de revisões negativas. A AgResource considera que, nas três ocasiões dos últimos 15 anos em que o USDA reduziu a produtividade do cereal em setembro, houve novo corte em outubro. Nesse contexto, a produtividade final pode se aproximar de 11,05 toneladas por hectare, diante do calor intenso e da falta de umidade registrados nas últimas semanas entre Nebraska e Kentucky. A média das estimativas para o relatório de setembro está em 11,20 toneladas por hectare, mas as projeções privadas apresentam ampla dispersão. A Pro Farmer estima produtividade de 10,87 toneladas por hectare, enquanto a StoneX trabalha com cerca de 11,49 toneladas por hectare.

A diferença entre os extremos representa aproximadamente 21,6 milhões de toneladas na produção norte-americana. As condições das lavouras dificultam a sustentação de uma produtividade superior a 11,30 toneladas por hectare. Apenas 56% das áreas de milho estavam classificadas em condições boas ou excelentes no dia 6 de setembro. É provável algum ajuste negativo, embora a magnitude da revisão permaneça incerta. O histórico das revisões do USDA reforça esse risco. Nos três casos observados nos últimos 15 anos em que o órgão reduziu a produtividade do milho em setembro, houve nova redução em outubro. Assim, uma revisão negativa no relatório deste mês aumentaria o risco de novo corte na divulgação seguinte. O rendimento final deve refletir principalmente o calor intenso e a seca registrados nas últimas três semanas entre Nebraska e Kentucky.

A possibilidade de menor oferta ocorre em um cenário no qual a demanda ainda não apresenta sinais relevantes de racionamento. No oeste de Iowa, as margens das usinas de etanol permanecem positivas. Seria necessário o milho físico alcançar cerca de US$ 6,00 por bushel, no mínimo, para começar a comprometer de forma mais significativa a rentabilidade do setor. Esse nível de preço indica que ainda existe espaço para avanço das cotações antes que o consumo industrial passe a responder de maneira mais expressiva. Na soja, o cenário é semelhante. As margens de esmagamento no centro de Illinois chegaram a US$ 3,71 por bushel, praticamente igualando a máxima histórica de 2022. O cálculo considera soja a US$ 13,00 por bushel, farelo a US$ 360,00 por tonelada e óleo de soja a 72,00 centavos de dólar por libra-peso. A combinação de preços dos produtos processados mantém o esmagamento altamente rentável e ainda distante de um nível capaz de provocar racionamento da oferta de soja.

As restrições às exportações do Mar Negro também são consideradas fator de sustentação para os mercados de grãos. A Rússia embarcou 2 milhões de toneladas de trigo em agosto, mas apenas 120 mil toneladas nos quatro primeiros dias de setembro, ante 500 mil toneladas no mesmo período do ano passado. Rússia e Ucrânia, juntas, podem exportar cerca de 7 milhões de toneladas de trigo nos próximos 90 dias, ante 20 milhões de toneladas no mesmo intervalo do ano anterior. Uma eventual transferência de 10 milhões a 12 milhões de toneladas de demanda para mercados fora do Mar Negro poderia pressionar rapidamente os balanços de oferta e demanda. as limitações dos embarques da região ainda não estão totalmente incorporadas às cotações de outras origens exportadoras, o que mantém potencial de suporte adicional aos preços dos grãos.

O fluxo financeiro também reforça o cenário. O interesse em aberto aumentou em 21 mil contratos na soja, 10 mil no milho e 11 mil no trigo na quarta-feira (09/09). A AgResource identifica semelhanças com os períodos de 2006 a 2008 e de 2020 a 2022, quando o capital permaneceu direcionado aos mercados de commodities por períodos prolongados. O conjunto de fatores mantém os mercados de grãos sensíveis ao relatório do USDA e às próximas revisões de produtividade. No milho, uma redução adicional do rendimento norte-americano, combinada à manutenção da demanda por etanol e às restrições de oferta no Mar Negro, pode estreitar o balanço e sustentar as cotações. Na soja, as margens elevadas de esmagamento indicam que a demanda ainda possui espaço para absorver uma eventual redução da oferta antes de provocar racionamento significativo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.