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11/Sep/2026

Preços do milho limitados pela fraca exportação

O mercado de milho deve seguir sem direção clara no Brasil ao longo das próximas semanas, após a alta de preços registrada em agosto incorporar boa parte do cenário mais apertado no exterior e afastar exportadores da originação. Há pouco espaço para novas altas no curto prazo, embora a expectativa para o fim do ano continue positiva. A melhora observada em agosto já refletiu parte relevante dos problemas de oferta no exterior, especialmente nos Estados Unidos e na Europa. O avanço das cotações, porém, reduziu a competitividade do milho brasileiro. Com esse nível de preço no mercado local, praticamente não está se originando milho da 2ª safra de 2026 para exportação.

Esse é o principal fator de atenção neste momento. O Brasil ainda precisa escoar um volume relevante para evitar que uma parcela maior da oferta permaneça no mercado doméstico. Se a exportação começa a ficar abaixo do esperado, isso passa a ser um fator que pesa sobre as cotações internas. A demanda doméstica segue firme, mas a menor presença dos exportadores também deixa os compradores locais mais confortáveis. O mercado interno continua precisando de milho e vai consumir mais, mas, nesses níveis de preço, o exportador saiu do mercado. Isso deixa o comprador mais tranquilo. Esse equilíbrio entre consumo interno firme e exportação mais fraca favorece um mercado sem definição no curto prazo. A avaliação muda para os últimos meses do ano. Há espaço para alguma alta, especialmente se o quadro global de oferta continuar apertado.

Em Mato Grosso, na região de Sorriso, a perda de tração no canal de exportação reflete-se diretamente no ambiente de negócios. Enquanto produtores mantêm indicações de até R$ 60,00 por saca de 60 Kg FOB no disponível, as indicações de tradings são de R$ 53,00 por saca de 60 Kg CIF, ante os R$ 54,00 a R$ 55,00 por saca de 60 Kg CIF praticados há dez dias, tornando as negociações pontuais. As indústrias de etanol não fazem indicações nominais em função dos estoques cheios. No entanto, as propostas das compradoras devem ser menores do que as da exportação. As indústrias absorvem o milho de menor qualidade que não atende às exigências de exportação, então indicam preços menores. Para 2ª safra de 2027, as usinas lideram a procura para compras antecipadas, mantendo a indicação de R$ 50,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega e pagamento em agosto de 2027.

No Paraná, na região de Cascavel, o enfraquecimento da demanda nos portos é mais evidente. As indicações para exportação no Porto de Paranaguá saíram de R$ 75,00 por saca de 60 Kg CIF, na semana passada, para a faixa de R$ 69,00 a R$ 70,00 por saca de 60 Kg CIF. Por outro lado, a cotação para o mercado interno apresenta leve alta de R$ 1,00 por saca de 60 Kg, com fábricas de ração indicando entre R$ 62,00 e R$ 63,00 por saca de 60 Kg CIF. O mercado continua travado porque os compradores fizeram bons negócios no mês passado, mas os produtores que estão colhendo trigo precisam de espaço. Isso pode movimentar as negociações.