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11/Sep/2026

Argentina amplia competitividade nas exportações

A maior competitividade do milho argentino ganha relevância no mercado internacional em um momento de menor ritmo dos embarques brasileiros. Com elevada disponibilidade do cereal e preços atrativos, a Argentina caminha para exportações recordes, enquanto as primeiras projeções para setembro indicam volumes do Brasil abaixo dos registrados no mesmo mês de 2025, período considerado estratégico para o programa nacional de exportações. As exportações argentinas devem atingir recorde de 10 milhões de toneladas no acumulado de agosto e setembro. O desempenho é sustentado pela safra 2025/26 estimada em 71,7 milhões de toneladas, volume recorde, além da demanda internacional associada às dificuldades de comercialização do milho da Ucrânia e às perdas provocadas pelo calor em partes da Europa. A oferta argentina apresenta, portanto, combinação de disponibilidade elevada e preços competitivos, ampliando sua capacidade de disputar compradores no mercado internacional.

No Brasil, a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) estima embarques de 5,2 milhões de toneladas de milho em setembro, abaixo das quase 7 milhões de toneladas registradas no mesmo mês de 2025. O cenário competitivo neste ano envolve principalmente Argentina e Estados Unidos, enquanto o mercado brasileiro também enfrenta maior disputa com a demanda doméstica, especialmente do setor de etanol. Os primeiros dados oficiais de setembro indicam que o ritmo dos embarques brasileiros permanece inferior ao observado no ano passado. Nos quatro primeiros dias úteis do mês, foram exportadas 1,13 milhão de toneladas de milho, com média diária de 281,6 mil toneladas, volume 18,1% inferior às 343,8 mil toneladas por dia registradas em setembro de 2025. Apesar da diferença negativa na comparação anual, houve recuperação em relação a agosto, quando a média diária de exportações foi de 221,7 mil toneladas.

O ritmo observado no início de setembro é, assim, cerca de 27% superior ao registrado no mês anterior. A maior disponibilidade de milho argentino já vinha sendo considerada um dos principais fatores de risco para o programa brasileiro de exportações. A avaliação da Hedgepoint indica que o ritmo dos embarques brasileiros estava abaixo do esperado, enquanto a maior oferta e os preços competitivos da Argentina aumentam a concorrência entre as duas origens, que disputam compradores em comum. A Hedgepoint trabalha com exportações brasileiras próximas de 41 milhões de toneladas em 2026, volume que estaria em linha com o acumulado em 2025. A projeção, entretanto, pode ser revisada caso o ritmo dos embarques permaneça abaixo do esperado. A combinação entre maior oferta argentina, concorrência dos Estados Unidos e demanda interna mais firme cria um ambiente de maior disputa pelo milho disponível no Brasil.

Os Estados Unidos também permanecem entre os principais concorrentes do milho brasileiro, embora a valorização recente das cotações em Chicago tenha reduzido a competitividade do cereal norte-americano em relação aos dois anos anteriores. Parte desse movimento está associada às incertezas sobre os fluxos de grãos pelo Mar Negro. Com preços mais elevados na Bolsa de Chicago, a vantagem competitiva dos Estados Unidos tende a diminuir, reduzindo parcialmente a pressão exercida sobre o milho brasileiro ao longo do ano. Os dados disponíveis ainda não permitem concluir que a Argentina esteja retirando diretamente mercados do Brasil. O principal movimento observado é o aumento da oferta argentina em condições competitivas justamente durante um período no qual o programa brasileiro de exportações permanece abaixo do ritmo registrado em 2025.

A disputa entre as duas origens tende a ganhar importância à medida que a Argentina amplia sua presença no mercado internacional e o Brasil precisa conciliar exportações com uma demanda doméstica fortalecida pelo avanço do processamento de milho para etanol. As próximas semanas serão determinantes para avaliar se a recuperação dos embarques brasileiros observada no início de setembro ganha consistência ou se a projeção de 5,2 milhões de toneladas da Anec se confirma. Caso o volume permaneça abaixo do registrado no ano anterior, aumenta a atenção sobre o cumprimento da projeção de exportações brasileiras para 2026 e sobre a capacidade da demanda doméstica de absorver parte da oferta de milho disponível no País. Fonte: Notícias Agrícolas. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.