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11/Sep/2026

Etanol de Milho brasileiro influencia mercado global

O Brasil colhe a maior safra de milho de sua história ao mesmo tempo em que amplia rapidamente o consumo doméstico do cereal, principalmente pela indústria de etanol. A combinação começa a alterar a percepção de analistas dos Estados Unidos sobre o equilíbrio global do mercado de milho. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta produção de 143 milhões de toneladas na safra 2025/26 e consumo interno recorde de 95 milhões de toneladas, em um cenário de expansão acelerada da produção de etanol de milho. A indústria brasileira apresenta trajetória semelhante à observada nos Estados Unidos há cerca de 20 anos, quando o etanol de milho passou de um destino marginal para uma das principais fontes de demanda pelo cereal. A expansão brasileira já reduziu as exportações em volume suficiente para ocorrer em um momento de crescimento da demanda global, aumentando a pressão sobre a necessidade de oferta exportável dos Estados Unidos.

Esse movimento se soma aos acordos comerciais do presidente norte-americano, Donald Trump, com a China e à guerra no Mar Negro, que restringiu as exportações ucranianas, como fatores de sustentação das vendas externas de milho dos Estados Unidos em 2026. A dimensão da expansão brasileira é evidenciada pelas projeções da Conab. A produção de etanol de milho deve alcançar 11,91 bilhões de litros na safra 2026/27, crescimento de 17% em relação ao ciclo anterior. O volume equivale a aproximadamente 28% dos 41,88 bilhões de litros de etanol que o Brasil deverá produzir no período, considerando diferentes matérias-primas. Na base utilizada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para suas projeções, o parque industrial já reúne 30 biorrefinarias de milho, sendo 19 unidades dedicadas ao cereal e 11 plantas flex, com capacidade conjunta de processamento de 21,9 milhões de toneladas por ano e produção de 11,6 bilhões de litros de etanol.

O aumento da demanda doméstica por milho para produção de etanol não implica necessariamente redução permanente da oferta brasileira destinada ao mercado externo. A dinâmica tende a ocorrer em duas etapas. Na primeira, o rápido crescimento do consumo interno de etanol limita a expansão das exportações. Na segunda, a ampliação da área cultivada permite o crescimento simultâneo da demanda doméstica e das vendas externas. Entre as vantagens competitivas do Brasil estão o câmbio favorável e a possibilidade de realização de duas safras na mesma área, enquanto infraestrutura de transporte e custos dos fertilizantes permanecem como limitações à expansão da oferta. As projeções da EPE reforçam a perspectiva de mudança estrutural no balanço brasileiro de milho. No cenário intermediário, o processamento do cereal para produção de etanol deve aumentar em 19 milhões de toneladas entre 2024 e 2035.

No cenário de expansão mais acelerada, o acréscimo chega a 35,4 milhões de toneladas, elevando o processamento anual para aproximadamente 53 milhões de toneladas. A trajetória indica aumento relevante da parcela da produção brasileira destinada a uma demanda doméstica que, há poucos anos, apresentava peso significativamente menor na formação do balanço do cereal. A combinação de fatores de oferta e demanda também eleva a sensibilidade do mercado global a eventuais choques simultâneos. Uma redução moderada da safra dos Estados Unidos, o aumento do consumo brasileiro de milho para etanol, uma diminuição das exportações do Mar Negro ou problemas climáticos na América do Sul podem ser absorvidos isoladamente pelo mercado. A ocorrência simultânea de dois ou três desses fatores, porém, reduziria de forma significativa a margem de segurança disponível no balanço global.

A expansão do etanol de milho não resulta, até o momento, em redução proporcional das exportações brasileiras porque a produção nacional também avança de forma expressiva, principalmente com a consolidação da 2ª safra, que responde atualmente pela maior parcela da oferta. Na estimativa mais recente da Conab, o consumo doméstico foi elevado em 152,2 mil toneladas, para 95 milhões de toneladas, enquanto as exportações foram mantidas em 46,5 milhões de toneladas e os estoques de passagem estimados em 15,58 milhões de toneladas. O balanço ainda apresenta capacidade para absorver o crescimento da demanda interna sem redução equivalente das vendas externas. A evolução da produção será determinante para definir o impacto do etanol brasileiro sobre o comércio mundial de milho nos próximos anos. O cereal produzido na Região Centro-Oeste poderá ser direcionado aos portos para atender compradores internacionais ou processado próximo às regiões produtoras para a fabricação de etanol e coprodutos.

Para o produtor, a expansão da indústria representa uma nova fonte de demanda doméstica, enquanto para os exportadores acrescenta um comprador relevante nas regiões que concentram parcela expressiva da oferta brasileira. A mudança de percepção entre analistas dos Estados Unidos indica que a expansão do etanol deixou de ser considerada apenas uma transformação regional e passou a ser acompanhada como fator potencial de alteração do balanço global do milho. Quanto maior a parcela da safra absorvida pelas usinas, maior será a necessidade de crescimento da produção para que o Brasil mantenha simultaneamente o abastecimento doméstico e sua posição entre os principais exportadores mundiais. O efeito sobre o comércio internacional dependerá, portanto, da capacidade de expansão da área e da produtividade em ritmo suficiente para acompanhar o crescimento projetado da indústria de etanol na próxima década. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.