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10/Sep/2026

EUA: oferta menor pode ter efeito limitado nos futuros

Segundo a Stag International, o relatório de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) deve apontar um balanço mais apertado para o milho norte-americano na safra 2026/27, mas boa parte desse ajuste já estaria incorporada aos preços futuros. A consultoria estima produtividade de 11,20 toneladas por hectare, abaixo das 11,34 toneladas por hectare projetadas pelo USDA em agosto. Os estoques finais são estimados em 38,94 milhões de toneladas, ante 41,99 milhões de toneladas, na estimativa anterior. Nesse cenário, a relação entre estoques e consumo cairia para 9,4%, ante 10,1% projetados pelo USDA em agosto. O mercado trabalha com estoques finais próximos de 38,38 milhões de toneladas. As condições das lavouras norte-americanas pioraram ao longo de agosto em razão da falta de chuvas. A estimativa também incorpora ao modelo quantitativo o resultado inferior divulgado pelo Pro Farmer no mês passado.

Eventual redução da produção não deve ser compensada por cortes relevantes nas projeções de exportação ou de consumo de milho para etanol. No comércio externo, a continuidade da guerra entre Rússia e Ucrânia e a fragilidade da infraestrutura de exportação do Mar Negro reforçam a posição dos Estados Unidos como fornecedor alternativo para destinos que normalmente dependem do milho ucraniano. No mercado doméstico norte-americano, não deve haver mudança relevante na estimativa de consumo de milho para etanol. As exigências da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) e o ritmo firme da produção semanal do biocombustível continuam dando sustentação à demanda pelo cereal. Mesmo diante da perspectiva de estoques menores, o relatório do USDA pode ter impacto limitado sobre os preços. Os futuros já precificam uma relação entre estoques e consumo próxima de 9% a 9,5%.

Nesse contexto, uma produtividade abaixo das expectativas tenderia a sustentar novas altas, enquanto um resultado acima do esperado poderia pressionar as cotações. A incerteza sobre o tamanho da safra norte-americana, contudo, não deve ser encerrada com o relatório de setembro. Em 7 dos últimos 16 anos, o USDA realizou revisões relevantes de produtividade entre setembro e janeiro, sem que um único fator tenha explicado de forma consistente a direção ou a magnitude dos ajustes. Para a Stag, a definição da oferta norte-americana permanecerá em aberto até a estimativa final de janeiro. No mercado internacional, o USDA deve reduzir a produção de milho da União Europeia de 50,2 milhões de toneladas para aproximadamente 48 milhões de toneladas. Para a Ucrânia, o cenário-base é de manutenção da projeção de exportações, considerando que parte do milho atualmente disponível no país ainda poderá ser escoada no primeiro semestre de 2027. Caso o USDA também reduza as exportações ucranianas, além de revisar para baixo a produção europeia, o impacto sobre os preços do milho seria mais altista.

Com o programa de exportação brasileiro em redução sazonal e a Argentina já apresentando elevado volume de embarques, uma parcela maior da demanda europeia poderia ser direcionada aos Estados Unidos ou adiada até a normalização dos fluxos pelo Mar Negro. Deve haver redução dos estoques globais de milho em razão das estimativas menores de produção. Os preços elevados do petróleo mantêm competitiva a produção de etanol, enquanto a valorização do trigo oferece suporte adicional ao milho diante da possibilidade de substituição entre os dois cereais na alimentação animal. No curto prazo, entretanto, há pouco espaço para ampliação agressiva das posições compradas. As notícias relacionadas ao Mar Negro perderam força, o petróleo passou a oscilar em faixa mais estreita e o avanço das colheitas no Hemisfério Norte deve ampliar temporariamente a oferta física. Ao mesmo tempo, as posições líquidas compradas dos fundos estão próximas dos níveis recordes observados em 2023. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.