09/Sep/2026
Segundo o Boletim Agro de setembro do Banco do Brasil, o mercado de milho deve seguir sustentado pela redução dos estoques globais, pela demanda doméstica firme e pela expectativa de exportações mais intensas no segundo semestre. A ampla oferta brasileira e a elevada produção esperada nos Estados Unidos tendem a limitar movimentos mais expressivos de alta, mas mantém viés levemente altista para as cotações no trimestre, condicionado à evolução do clima, ao ritmo das exportações e ao comportamento da demanda interna. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção brasileira de milho em 2026 deve atingir 141,8 milhões de toneladas, estável em relação à safra anterior.
A safra de verão (1ª safra 2025/2026) deve somar 29,9 milhões de toneladas, alta de 16,4% sobre 2025, enquanto a 2ª safra de 2026 deve recuar para 111,9 milhões de toneladas, volume 3,6% inferior ao do ciclo passado. A queda na 2ª safra de 2026 deve atingir todas as regiões do País, com exceção do Norte, com destaque para as retrações no Sudeste (-10,7%) e no Centro-Oeste (-3,7%). A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta cenário mais positivo, de 143,0 milhões de toneladas, alta de 1,3%, resultado do forte avanço esperado para a safra de verão (+18,2%), que deve compensar parcialmente a queda estimada para a 2ª safra de 2026 (-1,9%).
Entre os Estados, Mato Grosso, principal produtor, com 33,2% de participação nacional, deve registrar alta de 4,6%, enquanto Goiás projeta forte retração de 27,6%. O Paraná deve crescer 2,4% e o Rio Grande do Sul, 21,8%. No mercado interno, o consumo de milho deve avançar 4,8% ante a safra anterior, impulsionado sobretudo pela produção de etanol, ao passo que as exportações também devem aumentar. Os preços do milho subiram 3,3% em agosto, encerrando o mês a R$ 66,96 por saca de 60 Kg. Mesmo com a colheita da 2ª safra de 2026 em fase final e as estimativas de produção recorde, as cotações seguiram avançando no mercado brasileiro.
Ainda assim, no acumulado do ano, os preços registram queda de 10,2%, refletindo o movimento de baixa observado principalmente no primeiro semestre, em um cenário de maior disponibilidade interna do cereal. Para o trimestre, o Banco do Brasil destaca que os ajustes mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reforçaram a redução dos estoques finais, especialmente no país, tornando o balanço global de oferta e demanda menos confortável e aumentando a sensibilidade do mercado às condições climáticas. A evolução das lavouras norte-americanas continuará sendo um dos principais direcionadores das cotações internacionais ao longo dos próximos meses.
No Brasil, a colheita da 2ª safra de 2026 avança para a reta final e sustenta a perspectiva de elevada disponibilidade do cereal, o que deve ampliar o potencial exportador no segundo semestre. Do ponto de vista climático, chama a atenção a elevada probabilidade de um El Niño muito forte ao longo do segundo semestre e do início de 2027, com temperaturas acima da média e chuvas abaixo da média em parte do Centro-Norte do Brasil. Para o milho, o cenário tende a favorecer a conclusão da colheita da 2ª safra, mas mantém a atenção do mercado sobre os impactos climáticos na implantação da próxima safra brasileira e sobre a evolução da safra norte-americana. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.