08/Sep/2026
As cotações futuras do milho na Bolsa de Chicago recuaram após o início de conversas de paz entre Rússia e Ucrânia e a divulgação de novas estimativas para a safra dos Estados Unidos. Segundo a StoneX, o movimento refletiu uma correção generalizada no complexo de commodities após declarações do presidente da Rússia, Vladimir Putin, confirmadas por autoridades ucranianas, sobre a possibilidade de um acordo no Mar Negro. As cotações de energia, trigo, milho e oleaginosas recuaram em conjunto. A consultoria Allendale projetou a produtividade das lavouras norte-americanas de milho em 11,24 toneladas por hectare. A estimativa fica entre os números do Pro Farmer, de 10,89 toneladas por hectare, e do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), de 11,36 toneladas por hectare.
Apesar do recuo pontual das cotações, os fundamentos do mercado norte-americano permanecem sustentados. As lavouras classificadas entre boas e excelentes somam 57%, abaixo da média dos últimos cinco anos, enquanto os embarques dos Estados Unidos estão 4% acima do ritmo necessário para cumprir a meta estabelecida pelo USDA. O consumo de milho para produção de etanol avançou em julho ante junho. Na União Europeia, a oferta restrita mantém a necessidade de importações elevadas de milho. A Comissão Europeia reduziu sua estimativa para a produção do cereal no bloco para 50,1 milhões de toneladas, enquanto a consultoria Argus projeta uma safra de 46,9 milhões de toneladas. O volume permanece distante da projeção inicial para a temporada, que variava entre 59 milhões e 63 milhões de toneladas.
Na França, a parcela das lavouras classificadas como boas e excelentes caiu de 74% para 28% em razão de ondas consecutivas de calor. A produção francesa é estimada em 6,9 milhões de toneladas, o menor volume em 50 anos. Na Alemanha, a colheita recuou cerca de 25%, para 3,75 milhões de toneladas. Diante do quadro de menor oferta, a Comissão Europeia projeta necessidade de importação de 25 milhões de toneladas de milho, enquanto a Federação Europeia dos Fabricantes de Alimentos Compostos (Fefac) estima o volume necessário em 26 milhões de toneladas. A restrição de oferta ocorre em um contexto de pressão sobre o setor pecuário europeu, também afetado pela menor disponibilidade de pastagens.
Na América do Sul, o mercado monitora os possíveis impactos do fenômeno El Niño diante das projeções de crescimento da produção regional. As primeiras estimativas indicavam uma safra brasileira entre 110 milhões e 120 milhões de toneladas, mas consultorias revisaram as projeções para cima. A Agroconsult prevê expansão da área cultivada no Brasil. Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires estima a área cultivada com milho em 8,4 milhões de hectares. O mercado avalia se os impactos inicialmente projetados para o El Niño foram superestimados ou se os efeitos do fenômeno sobre as estimativas de produção estão sendo subestimados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.