04/Sep/2026
A demanda continua oferecendo suporte aos preços da soja e do milho, enquanto as incertezas sobre a produtividade nos Estados Unidos, o clima no Brasil, os conflitos geopolíticos e os fluxos comerciais devem manter a volatilidade elevada nos mercados. Segundo a Hedgepoint Global Markets, os preços também serão influenciados pelas relações entre Estados Unidos e China, pelos conflitos no Oriente Médio e no Mar Negro, pelo petróleo, pelo câmbio e pela evolução do fenômeno El Niño. O cenário para o segundo semestre combina fundamentos suficientemente fortes para sustentar os preços com riscos que limitam uma perspectiva excessivamente otimista. Para o Brasil, a Hedgepoint projeta safra de soja 2026/27 de 181,7 milhões de toneladas, em linha com a temporada anterior. Para o milho, a produção 2025/26 é estimada em 140,3 milhões de toneladas.
O cenário combina crescimento mais moderado da oferta de soja com avanço estrutural do consumo doméstico de milho destinado à produção de etanol. A projeção da soja considera aumento de 0,9% na área plantada, abaixo da expansão próxima de 3% estimada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). A combinação de preços mais baixos, custos elevados e fertilizantes mais caros reduziu a rentabilidade do produtor e tende a limitar uma expansão mais agressiva da área, além dos investimentos em tecnologia e insumos. A estimativa de 181,7 milhões de toneladas não incorpora eventual impacto negativo do El Niño. As previsões são consideradas favoráveis ao plantio em setembro e outubro, mas, a partir de novembro, indicam possibilidade de redução das chuvas no Centro-Norte e aumento da umidade na Região Sul do Brasil, o que amplia as incertezas sobre o desenvolvimento das lavouras.
Nas exportações brasileiras de soja, a Hedgepoint projeta 114 milhões de toneladas, volume cerca de 6 milhões de toneladas superior ao recorde anterior, de 108 milhões de toneladas. Nos Estados Unidos, a produção de soja permanece entre os principais pontos de incerteza. O USDA estima aproximadamente 123 milhões de toneladas, enquanto a Pro Farmer projeta 124,4 milhões de toneladas. No milho, o consumo brasileiro destinado à produção de etanol deverá crescer cerca de 5,5 milhões de toneladas e poderá se aproximar de 29 milhões de toneladas com o E32. As exportações brasileiras são estimadas em 41 milhões de toneladas, estáveis em relação à temporada anterior. Na Argentina, a produção de milho é estimada em 63 milhões de toneladas pelo USDA, enquanto projeções locais apontam para quase 70 milhões de toneladas. As exportações argentinas poderão avançar de 29 milhões para cerca de 45 milhões de toneladas, superando o volume brasileiro e ampliando a concorrência no mercado internacional.
Nos Estados Unidos, o USDA projeta produção de milho de aproximadamente 407 milhões de toneladas, ante cerca de 390 milhões de toneladas estimadas pela Pro Farmer. Na penúltima semana de agosto, apenas 57% das lavouras norte-americanas estavam classificadas em condições boas ou excelentes, ante 71% um ano antes. O quadro abre espaço para uma revisão negativa da produtividade. Em contrapartida, as exportações podem alcançar cerca de 83 milhões de toneladas, reduzindo a relação entre estoques e uso de aproximadamente 12% para 10%. Na União Europeia, as ondas de calor reduziram a projeção de produção de milho de aproximadamente 57 milhões para 50 milhões de toneladas. A necessidade de importações tende a aumentar em um período de menor capacidade exportadora da Ucrânia, criando oportunidades para Estados Unidos, Brasil e Argentina. Entretanto, a maior competitividade argentina pode limitar o potencial de avanço das exportações brasileiras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.