04/Sep/2026
Segundo relatório da S&P Global Energy e análises de preços da Platts, o mercado global de grãos e oleaginosas caminha para um ciclo de preços firmes, com perspectiva de consolidação até 2027, sustentado pela combinação de estoques mundiais em queda, custos elevados com fertilizantes e avanço da demanda por biocombustíveis. A recente decisão da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) sobre as isenções concedidas a refinarias no programa de combustíveis renováveis redirecionou volumes para o cumprimento das metas obrigatórias de mistura de biocombustíveis (RVO) de 2026 e 2027. A mudança proporcionou forte suporte ao óleo de soja na Bolsa de Chicago. Com o avanço da demanda dos segmentos de biodiesel e diesel renovável, os contratos futuros da soja em grão nos Estados Unidos atingiram os maiores níveis em quase três anos, superando US$ 13,00 por bushel e sinalizando um piso de valorização para as próximas safras.
O crescimento da demanda por biocombustíveis, combinado com a menor oferta de óleos concorrentes provocada por gargalos na região do Mar Negro em meio ao conflito entre Rússia e Ucrânia, também se refletiu nas cotações da América do Sul. O óleo de soja no Brasil, para embarque em outubro pelo Porto de Paranaguá (PR), acumulou alta de 1,69%, equivalente a US$ 20,28 por tonelada, até o início de setembro, alcançando US$ 1.218,05 por tonelada. A soja em grão no contrato SOYBEX FOB Porto de Santos (SP) avançou para US$ 538,96 por tonelada. Na Argentina, o óleo de soja FOB Up River registrou valorização de 1,33%, para US$ 1.211,44 por tonelada. Entre os principais gargalos produtivos para o ciclo de 2027 estão os custos elevados de energia e de fertilizantes nitrogenados, que pressionam as decisões de plantio do milho.
No Brasil, os produtores enfrentam custos adicionais, ampliados pelo câmbio, na aquisição de adubos importados. Esse cenário pode desestimular investimentos em tecnologia ou reduzir a área destinada à segunda safra de milho. Uma eventual retração da oferta exportável brasileira ocorreria em um momento de estoques globais mais apertados, aumentando a pressão sobre o suprimento mundial. Nos Estados Unidos, a elevação dos custos dos insumos também pode estimular a migração de áreas de milho para a soja no Corn Belt. Esse movimento poderá restringir a disponibilidade do cereal caso as compras da China e a demanda industrial permaneçam aquecidas. O cenário agrícola da América do Sul ganha complexidade adicional diante das projeções para o fenômeno climático El Niño. A expectativa de maior volume de chuvas tende a beneficiar os cultivos na Argentina e na Região Sul do Brasil, mas a possibilidade de seca e temperaturas elevadas na Região Centro-Oeste e no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) aumenta os riscos de perdas de produtividade.
Essas condições também podem atrasar o plantio da soja e reduzir a janela ideal para a 2ª safra de milho de 2027. Nos Estados Unidos, dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) indicam deterioração das condições das lavouras na reta final do ciclo. Na semana encerrada em 30 de agosto, 58% das áreas de soja foram classificadas em condições boas ou excelentes, recuo de dois pontos porcentuais em relação ao levantamento anterior. O equilíbrio do mercado de grãos e oleaginosas nos próximos meses dependerá da continuidade da demanda chinesa e da capacidade de absorção dos custos operacionais pelas margens do agronegócio brasileiro e internacional. A combinação entre oferta mais restrita, custos elevados de produção e demanda crescente por biocombustíveis mantém o cenário de preços firmes até 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.