03/Sep/2026
Segundo a StoneX, a indústria brasileira de etanol de milho vive uma expansão comparável à observada nos Estados Unidos há cerca de 20 anos, e o avanço já alcançou escala suficiente para afetar o comércio internacional de milho. O crescimento do consumo doméstico vem limitando a disponibilidade do cereal brasileiro para exportação em um momento de expansão da demanda mundial, ampliando o espaço para os embarques norte-americanos. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a produção brasileira de etanol de milho em 11,91 bilhões de litros em 2026/27, alta de 17% ante o ciclo anterior. A expansão ocorre com a entrada de novas usinas e a ampliação de unidades existentes, principalmente no Centro-Oeste.
O movimento ocorre em duas etapas. Inicialmente, o rápido crescimento da demanda das usinas para a produção de etanol restringe o aumento dos volumes disponíveis para exportação. Em uma segunda etapa, o estímulo econômico tende a favorecer a expansão da área cultivada e da produção de milho, permitindo ao Brasil atender simultaneamente ao consumo doméstico e ao mercado externo. A velocidade dessa resposta, contudo, encontra limitações. Os preços elevados e a menor disponibilidade de fertilizantes reduzem atualmente o potencial de expansão da produção brasileira. Mesmo nesse cenário, o Brasil mantém vantagens competitivas relevantes em relação aos Estados Unidos no mercado internacional de milho.
Entre os principais diferenciais estão o câmbio e a capacidade de produzir duas safras na mesma área ao longo do ano. A principal desvantagem brasileira permanece concentrada na infraestrutura de transporte, especialmente em rodovias e ferrovias. O menor crescimento do excedente exportável brasileiro se soma a outros fatores que vêm sustentando as vendas externas dos Estados Unidos. Entre eles estão os acordos comerciais conduzidos pelo governo do presidente norte-americano Donald Trump e as restrições aos embarques da região do Mar Negro provocadas pela guerra. A expectativa é de continuidade do crescimento da demanda mundial por milho nos próximos meses. Entre os fatores de suporte estão os riscos à oferta de fertilizantes no Mar Negro e no Golfo Pérsico, o maior consumo de biocombustíveis diante de uma oferta mais apertada de combustíveis fósseis e o avanço da produção de carnes, com efeitos sobre a demanda por ração animal.
Nos Estados Unidos, esse ambiente torna o balanço particularmente sensível à produtividade da safra atual. Um rendimento nacional inferior a 11,3 toneladas por hectare tenderia a apertar a oferta a ponto de gerar desconforto no mercado, enquanto produtividade superior a aproximadamente 11,4 toneladas por hectare teria maior probabilidade de manter o abastecimento adequado. A expectativa também é de que as exportações norte-americanas apresentem desempenho superior ao previsto, enquanto o consumo de milho destinado à alimentação animal fique abaixo das projeções oficiais do governo dos Estados Unidos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.