03/Sep/2026
Segundo a Bayer Crop Science, a expansão do etanol de milho está alterando a dinâmica do cereal no Brasil ao criar uma fonte crescente de demanda doméstica. O avanço das usinas aumenta a necessidade de elevar a produtividade por hectare para atender simultaneamente à indústria de biocombustíveis, à cadeia de proteína animal e ao mercado externo. O Brasil é apontado como exemplo de integração entre etanol, produção de grãos e pecuária. Em uma usina brasileira, áreas anteriormente ocupadas por pastagens foram convertidas para o cultivo de milho, enquanto os animais passaram ao confinamento. Nesse modelo, a produção de milho abastece a indústria de etanol instalada próxima às lavouras, criando maior integração entre as atividades agrícola, pecuária e de biocombustíveis. Parte dos coprodutos do processamento retorna à pecuária na forma de grãos secos de destilaria (DDGs), utilizados na alimentação animal, enquanto o esterco é destinado novamente às lavouras como fonte de nutrientes.
Esse sistema integrado reduz a dependência de fertilizantes sintéticos e a pegada de carbono, ao mesmo tempo em que permite a expansão da produção agrícola e dos ganhos de produtividade do milho. Outra vantagem competitiva do Brasil está na possibilidade de colher mais de uma safra na mesma área ao longo do ano. Essa característica amplia o potencial produtivo brasileiro em relação a regiões dos Estados Unidos nas quais as condições agrícolas limitam o cultivo a apenas um ciclo anual. O avanço da demanda, contudo, reforça o desafio de elevar a produção sem depender exclusivamente da abertura de novas áreas. O crescimento mundial do consumo de alimentos, rações e biocombustíveis aumenta a importância dos ganhos de rendimento por hectare, tornando a produtividade um dos principais fatores para atender à expansão da demanda sem ampliar proporcionalmente a área cultivada.
Os combustíveis renováveis são considerados um dos principais vetores dessa pressão sobre a produção agrícola. A Bayer estima que o mercado global de biodiesel, diesel renovável e combustível sustentável de aviação quase triplique até 2040, alcançando cerca de 40 bilhões de galões. A companhia também projeta aumento de aproximadamente 12% no consumo mundial de carne, com impactos diretos sobre a demanda por milho e soja destinados à alimentação animal. O crescimento da oferta ocorrerá, porém, em um ambiente de maior complexidade e risco para os produtores. Entre os fatores destacados estão margens mais apertadas, maior volatilidade climática, resistência de plantas daninhas e deterioração dos solos. Esse conjunto de desafios aumenta a necessidade de soluções capazes de elevar a produtividade e a eficiência dos sistemas agrícolas.
A estratégia para novos ganhos de rendimento passa pela integração de diferentes tecnologias, incluindo melhoramento genético, biotecnologia, proteção de cultivos, ferramentas digitais e manejo agronômico. A combinação desses recursos tende a ser mais eficiente do que a adoção de soluções isoladas. A pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias agrícolas alcançaram maior amplitude. A capacidade de integrar diferentes ferramentas para elevar a produção dentro da mesma área deverá ser um dos principais fatores de competitividade tecnológica do setor agrícola na próxima década. No milho, uma das apostas globais da Bayer é o Preceon Smart Corn System, sistema de milho de porte mais baixo já comercializado nos Estados Unidos, México, Itália e Espanha, com lançamento também iniciado na Argentina em 2026. A tecnologia busca reduzir riscos associados a eventos climáticos, permitir maior densidade de plantas e facilitar as operações na lavoura durante o ciclo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.