02/Sep/2026
Os futuros de milho fecharam em alta nesta terça-feira (1º/09) na Bolsa de Chicago, sustentados pela perspectiva de redução da produção europeia e pelas dificuldades de escoamento dos grãos da Ucrânia. As exportações ucranianas de grãos totalizaram 822 mil toneladas em agosto, volume equivalente a apenas 21% da capacidade potencial de exportação do país. Os portos do Danúbio e as ferrovias permanecem como principais alternativas de escoamento, em um cenário de ataques contínuos no Mar Negro. O vencimento dezembro do milho avançou 8,25 cents, equivalente a 1,53%, e fechou a US$ 5,46 por bushel. Na França, principal produtor de milho da União Europeia, as condições das lavouras seguem deterioradas.
O Ministério da Agricultura da França informou que apenas 28% da safra estava classificada como boa ou excelente em 24 de agosto, leve recuo ante a semana anterior e nível muito inferior aos 62% registrados no mesmo período do ano passado. A deterioração reflete os efeitos da onda de calor registrada durante o verão nas principais regiões produtoras francesas. Ao mesmo tempo, 45% das lavouras estavam classificadas como ruins ou muito ruins, quase três vezes o percentual observado um ano antes. A menor perspectiva de produção europeia tem ampliado a necessidade de importações pela União Europeia. Dados semanais divulgados pela Comissão Europeia mostram que o bloco importou 3,16 milhões de toneladas de milho entre 1º de julho e 30 de agosto, aumento de 41% em relação ao mesmo período do ano passado.
O ritmo mais elevado de compras reforça a percepção de maior dependência do mercado externo para recompor a oferta regional. O avanço dos preços do petróleo também contribuiu para sustentar as cotações do milho, ao melhorar a competitividade relativa do etanol. Nos Estados Unidos, o milho é a principal matéria-prima utilizada na produção do biocombustível, de modo que a valorização do petróleo tende a melhorar a paridade econômica do etanol e a oferecer suporte adicional à demanda pelo cereal. Nos Estados Unidos, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que 57% da safra de milho apresentava condição boa ou excelente no dia 30 de agosto, sem alteração em relação à semana anterior. O índice, contudo, permanece abaixo dos 69% registrados no mesmo período do ano passado, mantendo a atenção do mercado sobre o potencial produtivo da safra norte-americana.