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02/Sep/2026

MT: demanda interna ganha relevância em 2026/27

A demanda interna deve ganhar importância na absorção do milho de Mato Grosso na safra 2026/27, em meio à expansão da indústria de etanol de milho. Conforme o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), a demanda total pelo cereal no Estado está estimada em 54,04 milhões de toneladas, queda de 7,41% ante a temporada anterior. Em contrapartida, o consumo interno deve crescer 16,23%, para 27,04 milhões de toneladas, impulsionado pela abertura de novas usinas de etanol de milho e pela ampliação da capacidade de unidades já existentes. As exportações estão projetadas em 17,5 milhões de toneladas, recuo de 27,39% ante 2025/26.

A redução decorre do maior direcionamento da produção ao mercado doméstico e da consequente diminuição do excedente disponível para embarques. O consumo interestadual também permanece relevante, embora represente uma parcela menor da demanda total diante da maior atratividade do cereal do Estado. Com o avanço do consumo interno, os estoques finais são estimados em apenas 290 mil toneladas, queda de 55,77% em relação à temporada anterior. O nível projetado reforça a importância do mercado doméstico para a absorção do milho produzido em Mato Grosso na safra 2026/27.

Em agosto, o Imea consolidou a safra 2025/26 de milho em Mato Grosso, com produtividade revisada para 130,11 sacas de 60 Kg por hectare, alta de 2,23% ante o ciclo anterior e de 17,32% acima da média dos últimos cinco anos. As condições climáticas favoráveis ao longo do desenvolvimento das lavouras contribuíram para o desempenho, levando a produção a um recorde de 58,04 milhões de toneladas, avanço de 4,69% na comparação anual. Para a safra 2026/27, a projeção de área plantada é de 7,48 milhões de hectares, aumento de 0,59%. A produtividade, por sua vez, deve recuar 8,05%, para 119,64 sacas de 60 Kg por hectare, embora permaneça 1,3% acima da média das últimas cinco safras.

A projeção considera condições climáticas menos favoráveis durante o ciclo produtivo. Uma possível atuação do fenômeno climático El Niño pode afetar o desenvolvimento da soja e atrasar o ciclo da cultura, reduzindo a janela disponível para o plantio do milho. Nesse cenário, uma parcela maior da área poderá ser semeada fora do período ideal, aumentando o risco de restrição hídrica com a transição para o período seco em Mato Grosso. Diante dessas condições, a produção de milho em Mato Grosso na safra 2026/27 é estimada em 53,68 milhões de toneladas, queda de 7,50% ante o ciclo 2025/26. A menor produção, combinada ao avanço da demanda interna, tende a reduzir o excedente disponível para exportação e reforçar a participação do mercado doméstico na composição da demanda estadual. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.