02/Sep/2026
As principais entidades representativas do agronegócio e dos biocombustíveis dos Estados Unidos, entre elas a Associação Americana da Soja (ASA), a Associação Nacional dos Produtores de Milho (NCGA) e a Federação Americana do Farm Bureau (AFBF), manifestaram preocupação com a decisão da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) de conceder isenções das metas de mistura a 29 pequenas refinarias de petróleo. Apesar da preocupação com o volume de dispensas, as associações consideraram positiva a decisão do governo de Donald Trump de realocar integralmente os volumes dispensados para as metas de 2026 e 2027. A decisão da EPA envolve isenções referentes ao ano de cumprimento de 2025 do Padrão de Combustíveis Renováveis (RFS), totalizando entre 1,76 bilhão e 1,80 bilhão de créditos de conformidade, conhecidos como Números de Identificação Renovável (RINs).
A agência analisou 34 petições apresentadas por empresas do setor de refino que alegaram dificuldades financeiras. Foram concedidas isenções integrais a 18 unidades, dispensas parciais de 50% a 11 refinarias, enquanto três pedidos foram rejeitados e outros dois considerados inelegíveis. Para reduzir os impactos da medida sobre o mercado de biocombustíveis, a EPA se comprometeu a apresentar uma norma complementar até o fim de outubro de 2026. O objetivo é redistribuir a totalidade do volume isentado entre refinarias de maior porte, incorporando os volumes às Obrigações de Volume Renovável (RVO) dos ciclos de 2026 e 2027. A ASA destacou a atuação do presidente Donald Trump e de representantes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na criação de mecanismos de proteção aos agricultores antes do início da colheita.
A entidade avalia que, sem a realocação integral das cotas, a demanda por diesel renovável produzido a partir de biomassa poderia recuar cerca de 500 milhões de galões, com redução próxima de US$ 1 bilhão nas receitas dos produtores de soja dos Estados Unidos. A associação defendeu maior celeridade no processo regulatório até outubro e solicitou que a EPA estenda a garantia de realocação integral também às projeções de isenções referentes a 2026 e 2027. A medida é considerada relevante para preservar a demanda por óleo de soja utilizado na produção de diesel renovável e reduzir os efeitos das dispensas sobre o mercado agrícola. A NCGA avaliou negativamente o elevado volume de isenções concedidas às refinarias, considerando que o número de dispensas ficou acima do esperado pelos produtores de milho. A entidade também considera que as isenções não resultam necessariamente em redução dos preços dos combustíveis nas bombas para os consumidores.
Apesar disso, apoiou o plano do governo de recompor os RINs e preservar o mercado de etanol. A AFBF também destacou a relevância dos combustíveis renováveis para a renda dos produtores rurais e para a segurança energética dos Estados Unidos. A entidade considera fundamental que a realocação dos volumes dispensados seja cumprida integralmente até o fim de outubro, de modo a limitar os impactos das isenções sobre a demanda por matérias-primas agrícolas e biocombustíveis. A Associação de Combustíveis Renováveis (RFA) classificou as isenções concedidas pela EPA como injustificadas, mas avaliou positivamente a resposta do governo norte-americano para neutralizar os efeitos sobre a demanda do setor. A realocação dos volumes aos ciclos de 2026 e 2027 passa, assim, a ser o principal mecanismo para compensar a redução potencial na demanda decorrente das dispensas concedidas às pequenas refinarias. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.