01/Sep/2026
Os preços do milho devem iniciar setembro mais firmes no mercado brasileiro, apoiados pela alta na Bolsa de Chicago, pela demanda doméstica e pela menor pressão da colheita, enquanto as exportações ainda seguem abaixo do esperado. A reação recente tem mais relação com o ambiente externo e com o consumo interno do que com uma melhora efetiva do programa exportador brasileiro. A valorização internacional reflete uma combinação de menor perspectiva para a safra dos Estados Unidos após o Pro Farmer Crop Tour, problemas logísticos no Mar Negro e alta do trigo, que também influencia a formação de preços do milho. No mercado doméstico, a demanda oferece suporte.
As margens das usinas de etanol de milho seguem favoráveis, o que se reflete na disposição de pagar mais pelo cereal. O principal ponto de cautela segue sendo a exportação. O Itaú BBA trabalha atualmente com cerca de 40 milhões de toneladas de embarques, mas essa projeção pode ser revisada para baixo caso o ritmo não melhore. O line-up está bem abaixo do ano passado, bem atrasado. A consultoria ainda não reduziu a estimativa porque a quebra da safra da União Europeia e as dificuldades logísticas da Ucrânia podem abrir espaço adicional para o milho brasileiro. A Ucrânia pode não conseguir abastecer como normalmente abastece, e isso pode trazer um pouco mais de demanda para o Brasil. A Argentina também limita esse potencial por seguir competitiva no mercado internacional.
Por isso, o suporte ao preço doméstico continua vindo principalmente da Bolsa de Chicago. Para os próximos meses, porém, a própria curva doméstica já indica preços mais altos. Em algumas regiões, as referências para outubro estão ao menos R$ 2,00 por saca de 60 Kg acima das cotações observadas no fim de agosto. A perspectiva de recuperação, contudo, permanece condicionada ao cenário externo. Uma melhora no escoamento de grãos pelo Mar Negro poderia retirar parte do prêmio de risco incorporado às cotações internacionais e pressionar trigo e milho na Bolsa de Chicago. Essa perspectiva de sustentação se reflete diretamente no mercado físico, impulsionada pela reação das tabelas nos portos, pelo avanço dos contratos futuros na B3 e pela postura defensiva dos produtores.
No Paraná, a fraca disposição de vendedores forçou o ajuste comprador no disponível e na exportação. Na região de Ponta Grossa, a indicação de balcão no norte é de R$ 58,00 por saca de 60 Kg. Para exportação, a indicação é de R$ 74,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, para entrega em setembro; R$ 75,00 por saca de 60 Kg CIF, para outubro; R$ 76,00 por saca de 60 Kg CIF, para novembro. O produtor retém o cereal atento às dúvidas sobre a produtividade das lavouras norte-americanas. Em Mato Grosso, na região de Rondonópolis, a indicação está entre R$ 55,00 e R$ 56,00 por saca de 60 Kg FOB. Para 2ª safra de 2027, o movimento dos preços acompanha as altas da B3, que já apontam para patamares de R$ 80,00 por saca de 60 Kg no contrato com vencimento em janeiro. Há registro de negócios para indústrias a R$ 58,00 por saca de 60 Kg FOB, para retirada em outubro e pagamento em novembro de 2027.