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01/Sep/2026

Etanol de Milho: usinas flex ampliam investimentos

A combinação entre cana-de-açúcar e milho na produção de etanol vem atraindo investimentos no Brasil diante das vantagens de otimização industrial, redução de custos e benefícios ambientais. Como o milho pode ser armazenado, o modelo permite manter a produção de biocombustível durante todo o ano, e não apenas nos períodos de safra, como ocorre com a cana-de-açúcar. A estratégia reduz a ociosidade dos equipamentos industriais e contribui para maior estabilidade da oferta de etanol ao longo do ano, além de fortalecer o abastecimento contínuo e a segurança energética do País. O Brasil possui atualmente 12 usinas flex em atividade, sendo 10 no Centro-Sul e 2 no Nordeste. Essas unidades já respondem por até 6% do etanol produzido no País.

Na safra 2025/26, entre 1,8 bilhão e 2,2 bilhões de litros do biocombustível foram produzidos pelas usinas que combinam cana e milho. O modelo estabelece uma complementaridade entre as duas matérias-primas e tende a fortalecer a segurança energética, a sustentabilidade e a competitividade do setor em um cenário de descarbonização global, impulsionado pela expansão acelerada do etanol de milho. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) estima que o etanol produzido a partir do milho poderá representar quase metade do crescimento esperado da produção brasileira de etanol até 2035. A produção total deverá ficar entre 45 bilhões e 58 bilhões de litros. A integração entre as duas culturas permite maximizar a utilização dos ativos industriais ao longo do ano, aproveitando a complementaridade entre os períodos de safra de cana-de-açúcar e milho.

A Cargill Bioenergia mantém uma operação integrada de cana e milho em Quirinópolis (GO) e estuda instalar uma usina de etanol de milho e energia anexa à unidade de Cachoeira Dourada (GO). A empresa produz cerca de 600 milhões de litros de etanol por ano e, na unidade de Cachoeira Dourada, processa 3 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra. A utilização do milho durante a entressafra da cana amplia o período operacional da indústria e aumenta a eficiência dos investimentos, além de elevar a produtividade com a produção de óleo de milho e DDGs, subprodutos destinados à nutrição animal. O bagaço da cana-de-açúcar reduz a necessidade de utilização de fontes externas para a cogeração de energia.

Na CerradinhoBio, que possui plantas em Goiás e Mato Grosso do Sul, a decisão de investir em plantas anexas de cana-de-açúcar e milho está relacionada à diversificação das matérias-primas e ao aproveitamento de sinergias operacionais. O compartilhamento de insumos permite reduzir investimentos e obter ganhos de escala. A empresa possui capacidade para processar 6,1 milhões de toneladas de cana e 1,85 milhão de toneladas de milho. A integração também proporciona benefícios ambientais por meio do melhor aproveitamento da biomassa da cana para geração de energia, contribuindo para reduzir as emissões da operação.

A pegada de carbono das usinas flex, quando a produção ocorre sem mudanças no uso do solo, varia entre 17 gramas e 30 gramas de carbono equivalente por megajoule de biocombustível produzido, ante 87 gramas por megajoule no caso da gasolina C, sem mistura. O diferencial indica potencial relevante de redução das emissões associado ao modelo integrado. A Atvos pretende transformar a Unidade Santa Luzia, em Nova Alvorada do Sul (MS), em seu primeiro complexo de transição energética, integrando cana e milho na produção de etanol e bioeletricidade e uma planta de biometano a partir de torta de filtro e vinhaça. A produção de etanol de milho está prevista para começar em 2028, com capacidade de 273 milhões de litros. A produção de biometano, estimada em 28 milhões de m³ por ano, deverá começar em 2027.Fonte: Valor Econômico. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.