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31/Aug/2026

Preços do milho sustentados no mercado interno

Mesmo com a colheita da 2ª safra de 2026 na reta final e estimativas de produção recorde, os preços do milho têm avançado de forma expressiva neste mês. De modo geral, compradores e vendedores seguem retraídos, e as negociações ocorrem apenas de forma pontual. O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) registra alta de 1,9% nos últimos sete dias, cotado a R$ 69,05 por saca de 60 Kg, o maior valor nominal desde 10 de abril de 2026. Na parcial do mês, o aumento já é de consideráveis 5,8%. Os produtores continuam limitando a oferta, à espera de oportunidades mais atrativas diante das recentes altas no mercado internacional. Do lado da demanda, os compradores se deparam com os preços altos pedidos por vendedores e acabam aceitando esses valores em alguns casos, devido à necessidade de adquirir lotes no curto prazo. Outra parte dos consumidores, por sua vez, recorre aos estoques.

No mercado internacional, a estiagem aliada as temperaturas elevadas durante o período crítico de polinização nos Estados Unidos geram dúvidas quanto ao potencial produtivo da safra, dando suporte às cotações. Esse movimento de alta elevou os preços nos portos brasileiros. Nos últimos sete dias, os preços registram avanço de 0,94% no Porto de Paranaguá (PR) e de 3,47% no Porto de Santos (SP). Nos últimos sete dias, os avanços são de 1% no mercado de balcão (recebido pelo produtor) e de 1,6% no mercado de lotes (negociações entre empresas com o produto limpo e seco). Na parcial do mês, as elevações são de 10,2% no mercado de balcão e de 5,3% no mercado de lotes. Na B3, os valores acumulam reação, influenciados pelos preços internacionais. Nos últimos sete dias, o contrato Set/26 registra queda de 0,1%, cotado a R$ 71,29 por saca de 60 Kg. O vencimento Nov/26 tem acréscimo de 0,9%, e o Jan/27, de 1,5% no mesmo período, a R$ 77,65 por saca de 60 Kg e a R$ 80,91 por saca de 60 Kg. Na parcial de agosto, as altas são de respectivos 2,9%, 5% e 4,7%.

Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o Brasil embarcou 3,43 milhões de toneladas nos primeiros 15 dias úteis de agosto. Caso esse ritmo permaneça até o final do mês, as exportações devem atingir 4,8 milhões de toneladas, quantidade 30% inferior às 6,84 milhões de toneladas embarcadas em todo o mês de agosto do ano passado. Os preços futuros do milho registram, alta expressiva, atingindo, em termos nominais, os maiores patamares desde dezembro de 2023. As altas são sustentadas principalmente pelas preocupações com a produtividade nos Estados Unidos e pelas incertezas quanto ao abastecimento global, diante das incertezas nas exportações de grãos na região do Mar Negro. As preocupações com a produtividade norte-americana ganharam força após o USDA apontar uma piora mais acentuada nas condições das lavouras de milho.

Segundo o órgão, 57% das lavouras estavam em condições boas ou excelentes no dia 23 de agosto, quedas de 3% frente à semana anterior e de 14% em relação ao mesmo período de 2025. A colheita da 2ª safra de 2026 foi finalizada em estados como Piauí, Maranhão e Tocantins, mas ainda restam 5% da área em Goiás, 23% em São Paulo e 27% em Minas Gerais. Com isso, a média nacional colhida alcançou 90,4% até o dia 21 de agosto, um pouco abaixo dos 91,1% registrados na média das últimas cinco safras, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em Mato Grosso, a colheita foi finalizada na segunda quinzena de agosto, e a estimativa de produção para a safra 2025/26 está em 57,39 milhões de toneladas, um novo recorde, segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Dos Estados em que ainda restam atividades para finalizar, no Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) indicou que, até o dia 24 de agosto, a colheita havia alcançado 83% da área estimada. Em Mato Grosso do Sul, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) indica que foram colhidas 75,1% das lavouras até o dia 21 de agosto. O Deral/Seab divulgou as primeiras estimativas de produção de milho na safra de verão (1ª safra 2026/27) no estado do Paraná. Por enquanto, a área deve aumentar 2% frente à temporada anterior, com redução de 3% na produtividade média. A produção de milho é estimada em 4,1 milhões de toneladas, redução de 1,1% em relação à safra anterior. Na Argentina, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a colheita do milho atingiu 88% da área, avanço semanal de 6,7%, favorecido pela melhora das condições climáticas. A previsão de produção permanece em 64 milhões de toneladas. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.