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28/Aug/2026

Preço do milho sustentado pela demanda aquecida

O milho deve seguir sustentado no mercado brasileiro, com apoio do consumo doméstico elevado, da menor disposição de venda dos produtores e da necessidade crescente de formação de estoques, enquanto o setor exportador ainda apresenta sinais mistos. Os fundamentos indicam espaço para preços mais firmes no médio prazo, sem caracterizar uma disparada das cotações. A alta recente na Bolsa de Chicago também ajuda a elevar as referências no Brasil. A quebra da safra na União Europeia, o agravamento dos conflitos no Mar Negro e a perspectiva de produção menor do que a inicialmente esperada nos Estados Unidos após o Pro Farmer Crop Tour dão suporte às cotações internacionais. No caso brasileiro, o conflito no Mar Negro pode abrir espaço adicional justamente durante a principal janela de exportação do País.

Há alguns compradores adquirindo mais milho brasileiro, como é o caso do Egito. Países do Oriente Médio e do norte da África, importantes destinos do cereal brasileiro, enfrentam maior dificuldade para acessar a oferta da região do Mar Negro. O impulso externo, porém, ainda não é uniforme. Os dados de line-up não sugerem exportações tão fortes para agosto e setembro quanto em anos anteriores. Os sinais do setor exportador ainda são mistos. A sustentação mais consistente vem do mercado doméstico. As margens das usinas de etanol de milho seguem positivas, apesar da pressão observada no meio do ano com a queda do preço do biocombustível, e o setor continua ampliando o consumo do cereal. O crescimento estrutural da demanda também aumenta a necessidade de carregar estoques maiores de uma safra para outra.

O aumento do uso interno exige que o País atravesse o primeiro semestre com uma disponibilidade maior de milho antes da entrada da 2ª safra. O Brasil não tem estoques tão significativos. O mercado precisa passar por um período de formação de estoques, e isso tende a entregar suporte maior para o mercado doméstico. Do lado da oferta, a safra foi boa, mas o produtor tem mostrado menor interesse em avançar nas vendas. A expectativa de oportunidades mais remuneradoras adiante e as dúvidas sobre a produtividade norte-americana, ajudam a explicar por que a alta das indicações ainda não se converteu em grande volume de negócios. O produtor está mais retraído. A reação recente está compatível com os fundamentos atuais. O mercado está precificando bem esse cenário. Há sustentação altista e, no médio prazo, possibilidade de um pouco mais de força.

Em Mato Grosso, na região de Primavera do Leste, o milho perdeu espaço para a soja e segue sem movimento agressivo no disponível. Para outubro, as indicações estão entre R$ 50,00 e R$ 51,00 por saca de 60 Kg FOB (para pessoa física) e entre R$ 52,00 e R$ 53,00 por saca de 60 Kg via cooperativa. Para 2ª safra de 2027, indústrias e exportadores indicam R$ 52,00 por saca de 60 Kg FOB, mas sem oferta. No Paraná, na região de Cascavel, o mercado está travado, com vendedores esperando preços mais altos. A exportação indica entre R$ 72,00 e R$ 73,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, equivalente a entre R$ 61,00 e R$ 62,00 por saca de 60 Kg FOB em Cascavel, enquanto os vendedores indicam entre R$ 64,00 e R$ 65,00 por saca de 60 Kg.