28/Aug/2026
Segundo o Citi, as interrupções no comércio de grãos pelo Mar Negro podem atrasar as exportações de milho da Ucrânia e represar entre 3 milhões e 8 milhões de toneladas, além de redirecionar parte da demanda mundial para fornecedores como Estados Unidos, Brasil e Argentina. Nesse cenário, o Citi projeta o cereal a US$ 5,40 por bushel na Bolsa de Chicago nos próximos três meses e a US$ 5,90 por bushel em 12 meses. A Ucrânia deve exportar cerca de 22 milhões de toneladas de milho nesta temporada, o equivalente a aproximadamente 11% do comércio global. Ataques recentes a portos, terminais e embarcações comerciais reduziram as operações no Mar Negro e elevaram os custos de seguro.
Se as restrições persistirem, entre 2% e 4% do comércio mundial do cereal poderão sofrer atrasos. O impacto potencial não se limita à perda temporária de oferta ucraniana. A menor disponibilidade na região tende a aumentar a demanda por milho de outras origens e apertar o balanço internacional, especialmente se a China ampliar suas compras dos Estados Unidos sem reduzir as aquisições de outros fornecedores. No cenário-base, o banco trabalha com importações chinesas de aproximadamente 22 milhões de toneladas de milho norte-americano. O cumprimento desse volume é uma das premissas da perspectiva altista para o cereal. Uma retomada das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, por outro lado, poderia reduzir fortemente as exportações dos Estados Unidos e pressionar as cotações.
O Brasil também aparece pelo lado da demanda. A elevação da mistura de etanol à gasolina para 32% favorece o mercado de milho ao estimular o consumo do cereal pela indústria de etanol e reduzir o excedente disponível para exportação. O clima acrescenta incertezas à oferta para os próximos meses. Um El Niño forte pode provocar condições mais quentes e secas em partes do Sudeste Asiático, sul da África e Austrália, além de trazer problemas de plantio e desenvolvimento das lavouras na América do Sul. Contudo, a produção norte-americana permanece elevada em termos históricos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.