27/Aug/2026
Os contratos futuros de milho fecharam em alta na Bolsa de Chicago nesta quarta-feira (26/08), acompanhando o desempenho do trigo. Os dois grãos tendem a apresentar movimentos na mesma direção porque o trigo pode atuar como substituto direto do milho na alimentação animal. O vencimento dezembro avançou 13,00 cents, ou 2,48%, e fechou a US$ 5,36 por bushel. As estimativas da Pro Farmer para a produção e a produtividade do milho nos Estados Unidos, inferiores às projeções mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), continuam oferecendo suporte às cotações. A Pro Farmer estima que os agricultores norte-americanos colherão 389,74 milhões de toneladas de milho na safra 2026/27, com produtividade média de 10,872 toneladas por hectare. A projeção de agosto do USDA aponta produção de 406,73 milhões de toneladas e rendimento médio de 11,342 toneladas por hectare.
O mercado também segue incorporando os impactos dos problemas logísticos provocados pelo conflito no Mar Negro. Em agosto, as exportações ucranianas de grãos estão 69% abaixo do volume registrado no mesmo período do ano anterior. Diante desse cenário, o Conselho Internacional de Grãos (IGC) reduziu em 3 milhões de toneladas a estimativa para os embarques ucranianos de milho, para 22 milhões de toneladas. Além das restrições logísticas, o calor e a seca registrados nas últimas semanas devem provocar perdas significativas na produção da União Europeia. Como consequência, a necessidade de importação do bloco deverá aumentar para 23,5 milhões de toneladas, 2,5 milhões de toneladas acima da previsão anterior. A menor disponibilidade da Ucrânia, principal fornecedora de milho da União Europeia, tende a ampliar a demanda pelo produto dos Estados Unidos. Dados da Comissão Europeia mostram que a União Europeia importou 2,57 milhões de toneladas de milho entre 1º de julho e 23 de agosto, aumento de 44% ante igual período do ano anterior.
O crescimento das compras reforça a perspectiva de maior necessidade de suprimento externo diante das perdas de produção e das dificuldades logísticas na região do Mar Negro. No mercado de biocombustíveis, a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA) informou que a produção média de etanol foi de 1,112 milhão de barris por dia na semana encerrada em 21 de agosto. O volume ficou acima do teto das estimativas dos analistas, de 1,105 milhão de barris por dia. Os estoques de etanol nos Estados Unidos somavam 25,2 milhões de barris em 21 de agosto, permanecendo dentro do intervalo projetado pelo mercado. A produção elevada do biocombustível mantém a demanda interna por milho como um fator adicional de sustentação para as cotações.